Operações contra o transporte clandestino resultam em 300 autuações em BH

Autoridades e empresas de ônibus sabem onde mais ocorrem as partidas do transporte clandestino . Crédito da foto: Jair Amaral/EM/DA Press

Empresas de ônibus dizem ajudar autoridades com informações

ADAMO BAZANI

Em cinco dias de operações contra o transporte clandestino que começaram no final do mês passado, foram feitas em torno de 300 autuações no hipercentro de Belo Horizonte.

A informação foi divulgada no início da noite desta segunda-feira, 09 de julho de 2018, pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram).

Além dos 280 autos de infração emitidos, uma van foi apreendida por falta de licenciamento.

As ações são realizadas pela Guarda Municipal de Belo Horizonte, em parceria com a Polícia Militar, a BHTrans e o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER-MG).
As companhias de ônibus reunidas no Sintram e no Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) dizem que auxiliam as autoridades com informações sobre os pontos na cidade com maior incidência de clandestinos.

Segundo levantamento do Guarda Municipal, a presença do transporte irregular ocorre mais em regiões como das ruas Tupinambás, Rio Grande do Sul, Carijós e avenida Olegário Maciel. A Guarda diz que disponibiliza em torno de 50 agentes todos os dias para as operações.

Em nota, o gerente do Departamento de Controle Operacional do Sintram, Marcos da Costa Negraes, diz que as empresas já sabem os pontos de embarque e desembarque dos clandestinos e que as informações foram repassadas para a Guarda Municipal.

“Temos um estudo sobre os principais pontos de embarque e desembarque de passageiros onde há evidências maiores de transporte clandestino. Um dos pontos mais graves é no entorno da rua Rio Grande do Sul com avenida Olegário Maciel” – disse.

O representante das empresas de ônibus ainda afirmou que alguns motoristas de clandestinos têm envolvimento com crimes e que as condições dos veículos e a direção perigosa para escapar das fiscalizações colocam em risco a vida de passageiros.

“Muitas vezes as pessoas viajam com bandidos, em veículos que não são fiscalizados. Elas não sabem a procedência do motorista, e muitos dos motoristas que já foram abordados pelos policiais não possuem carteira de habilitação. Alguns têm até mandados de prisão expedidos ou antecedentes criminais, outros transportam drogas e outros produtos de crime no veículo, junto com os passageiros … “A maioria dos veículos está em péssimo estado de conservação e, quando a fiscalização vai abordar, eles fogem rapidamente, colocando a vida dos passageiros em risco. Isso sem falar nos problemas de pneus carecas e carros sem nenhuma condição de estarem rodando”

O dirigente ainda diz que a evasão de demanda que o transporte clandestino provoca no serviço regular, pode aumentar os valores das tarifas. Quanto menos gente pagando, maiores tendem a ser os valores individuais da passagem para cobrir os custos de operação.

“Quanto mais aumenta o transporte clandestino, mais caro vai ficar o sistema, porque isso acaba impactando no preço da tarifa …O risco é muito grande, e o prejuízo é para todos”.

Na nota, o Sintram ainda diz que além do transporte clandestino, cujas penalidades são previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o sistema de transportes da região também registra venda irregular de créditos de bilhetagem eletrônica.

Outro problema comum que tem sido alvo das operações é a venda irregular de cartões de ônibus, por meio dos chamados “formiguinhas”, pessoas que comercializam ilegalmente esses cartões no hipercentro da capital. Pela resolução de concessão do transporte público por ônibus feita junto à Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), somente o Consórcio Ótimo pode comercializar os créditos do cartão Ótimo nos pontos de venda oficiais. A comercialização por terceiros pode estar relacionada a crimes diversos como os de fraude – envolvendo as gratuidades previstas por lei – e a clonagem de cartões. Quem compra os cartões ou créditos dos cartões vendidos irregularmente acaba sendo conivente com o crime, podendo também ser enquadrado judicialmente.

Além disso, a comercialização irregular dos cartões acaba levando à perturbação do trabalho e do sossego, uma vez que o processo de passar o cartão pela roleta e devolvê-lo ao vendedor pela janela acaba atrasando a viagem, deixando os demais passageiros em situação desconfortável. Os motoristas precisam sair com os ônibus, mas são ameaçados pelos formiguinhas, e os veículos acabam ficando parados no ponto por mais tempo que deveriam, criando desordem na região.

 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Ivan Santos disse:

    Muito boa a matéria sobre o transporte clandestino,mas porque não há essa segurança toda sobre os coletivos?Principalmente sobre os coletivos da região metropolitana q não respeitam os horários sem falar na falta de segurança(assaltos).Nao vejo nenhum movimento no sentido de coibir esses assaltos nos coletivos,sem falar q o motorista que tem q dirigir e cobrar passagem….isso tb é falta segurança e atrasa a viagem….?

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