Rodoviários da Veleiro protestam em Maceió contra atraso nos salários

Foto: Marcos Lisboa (site Ônibus Brasil)

Trabalhadores fizeram paralisação que durou de terça à noite até ontem cedo, quando empresa depositou pagamento quinzenal

ALEXANDRE PELEGI

O atraso no pagamento do quinzenal foi a motivação para que os trabalhadores da empresa de ônibus Veleiro cruzassem os braços em protesto. O pagamento de 40% dos salários, relativo à segunda parcela do mês, deveria ter sido depositado no dia 20 de junho.

A paralisação impediu a operação dos ônibus da empresa desde o final da tarde da terça-feira, dia 26 de junho, até o fim da manhã de ontem, dia 27.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Alagoas (Sinttro/AL), Sandro Régis, avisa que o atraso no pagamento dos salários não é um problema isolado da Veleiro. Ele alerta que há risco de que outras empresas do sistema público de transportes da capital sofram problema semelhante.

Segundo o dirigente sindical, em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, a queda no número de passageiros transportados seria o motivo das dificuldades de caixa das empresas.

Isso vem ocorrendo desde a licitação feita pela Prefeitura de Maceió em 2015. Desde então o número de passageiros caiu de 7 milhões/mês para cerca de 5,5 milhões/mês, segundo o presidente do Sinttro/AL.

Quatro empresas prestam serviços de transporte coletivo na capital de Alagoas: Cidade de Maceió, São Francisco, Veleiro e Real Alagoas. Conforme estabelecido no Edital de licitação, o sistema de transportes de Maceió foi dividido em quatro lotes: 100, 200, 300 e 400. Cada lote definido pelo edital abrange linhas de regiões específicas da cidade.

CLANDESTINOS SÃO CAUSA DE QUEDA DE PASSAGEIROS NOS ÔNIBUS MUNICIPAIS

A redução de passageiros tem sido a grande preocupação para os empresários do setor em Maceió.

Os dados citados pelo dirigente sindical dos rodoviários repetem o que o sindicato das empresas vem apontando, como em abril deste ano.  O Sinturb (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros) registrou queda de 7% no número de passageiros na comparação de usuários no primeiro trimestre de 2018 com o mesmo período do ano anterior.

Desde 2015, data em que as quatro empresas que operam na cidade assinaram o contrato de licitação, registraram uma queda total de 19% no número de usuários do transporte coletivo. Em 2014, o trimestre tinha em média 20.146.567 passageiros. No mesmo período de 2018, a média foi de 16.338.734.

De acordo com informações do Sinturb, os transportes clandestinos de Maceió contribuem para essa queda. No período em que a diminuição foi constatada, foram flagrados 70 veículos fazendo o transporte irregular de passageiros.

“Em todos os anos de operação em Maceió as empresas nunca transportaram tão poucos passageiros. A preocupação é que de quatro anos para cá o transporte clandestino ganhou força nas ruas. Uma prática ilegal está atuando e precisa perder força” – disse Toni Melo, gerente do Sinturb, em entrevista em abril de 2018.

O problema é relembrado por Sandro Régis, presidente do Sinttro/AL, para quem o combate aos clandestinos “não está ocorrendo como é preciso”.

Ele cita que o problema da evasão, que afeta as empresas e na sequência coloca em risco o emprego dos trabalhadores do setor, é motivado não só pelos irregulares, mas também pelos aplicativos de carona paga, como Uber, e pelos mototáxis. O sindicalista alerta: o sistema público de Maceió está ameaçado diante de tanta concorrência para o transporte coletivo.

A SMTT – Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito reconhece que o volume de passageiros transportados no sistema de transporte coletivo por ônibus caiu, mas diz haver explicação para o fato.

Em resposta ao jornal Gazeta de Alagoas, a SMTT afirma que no momento da licitação o sistema estava no ápice. “Tínhamos acabado de implantar a faixa azul, e outras medidas para torná-lo ainda mais eficiente. Porém, na sequência tivemos a crise econômica, com o aumento disparado do desemprego. A redução que enfrentamos hoje é efeito dessa crise”. A explicação foi dada por Rodrigo Medeiros, assessor técnico da Divisão de Fiscalização de Irregulares da SMTT, que refuta a afirmação de que a fiscalização ao transporte clandestino é ineficiente.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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