Secretaria dos Transportes do Rio tem até o dia 29 para responder sobre problemas encontrados por Controladoria no sistema municipal de ônibus

Empresas dizem que vão investir em melhorias

Falta de informações, veículos sem ar-condicionado e baratas chamaram a atenção em levantamento

ADAMO BAZANI

O sistema de ônibus no Rio de Janeiro não traz informações adequadas aos passageiros, apesar de ser uma das determinações da licitação que reorganizou os serviços em 2011, quase metade da frota não tem ar-condicionado ainda, mesmo com os acordos e previsões de um termo de ajustamento de conduta entre o Ministério Público e a prefeitura e, a limpeza deixa a desejar em um terço da frota. Baratas nos ônibus do Rio de Janeiro são comuns.

Este é o cenário relatado na conclusão de uma auditoria realizada pela Controladoria Geral do Município CGM e desenvolvida em parceria com a ONG Observatório Social do Brasil-Rio.

Entre os dias 3 de novembro e 28 de dezembro de 2017, 36 voluntários fizeram 878 viagens nos quatro consórcios da cidade: Santa Cruz, Intersul, Internorte e Transcarioca e anotaram os problemas,

Disparadamente, a falta de informações adequadas é o maior problema dos transportes do Rio de Janeiro: em 84,36% das viagens não havia informações das linhas nas paradas e de rotas nos ônibus.

Quanto à limpeza, a auditoria detectou que 36,99% das viagens não foram feitas em veículos limpos. Alguns ônibus estavam infestados de baratas.

Tema de discussões entre prefeitura, Ministério Público e empresas de ônibus desde 2013, o ar-condicionado ainda está longe de estar na grande maioria da frota: 45,89% dos coletivos não tinham equipamento de refrigeração mas viagens. Pelo novo acordo entre a prefeitura do Rio e as empresas de ônibus, que elevou a tarifa de R$ 3,60 para R$ 3,95, toda a frota terá de possuir ar-condicionado até 2020.

Ainda em relação a equipamentos, a auditoria constatou que 17,8% dos coletivos não tinham câmera.

O tempo de espera no ponto também é um problema. Apesar de a regularidade entre dois veículos ser de até 5 minutos em 35,54% dos casos e de em 41,45% entre 10 minutos e 15 minutos, ainda 23,01% das viagens analisadas tiveram espera superior a 15 minutos, o que é proibido pelo contrato com as empresas.

Entre os ônibus com ar-condicionado, em 11,38% os equipamentos não estavam funcionando.

Já 11,38% dos motoristas não dirigiam com cinto se segurança. A auditoria também constatou que em 28,2% dos casos, os ônibus não pararam corretamente para embarque e desembarque.  Em 18,89% das viagens, os pesquisadores deram sinal e o primeiro ônibus não parou, sendo necessário esperar o outro.

A Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro tem até o dia 29 de junho para responder os questionamentos da controladoria sobre os problemas.

As empresas de ônibus, por meio do Rio Ônibus, disseram que o sistema passa por uma reformulação e que os investimentos foram afetados pelo congelamento de dois anos da tarifa e que, agora, com o reajuste, as empresas se comprometem não só a cumprir as exigências dos contratos, como trazer melhorias para a população.

A Secretaria de Transportes disse que vai responder à CGM no prazo exigido.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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