MP do Rio vai investigar descontos irregulares em salários de motoristas de ônibus

Foto ilustrativa

Procuradoria abrirá investigação para apurar “vale-filmagem”, “vale-avaria”, “vale-sinistro” e “sobras de escala”

ALEXANDRE PELEGI

Eventuais descontos irregulares feitos nos contracheques de motoristas de ônibus do Rio de Janeiro serão objeto de investigação do Ministério Público do Trabalho.

O MP decidiu abrir investigação para apurar os chamados “vale-filmagem”, “vale-avaria” e “vale-sinistro”, além da prática considerada irregular das “sobras de escala”.

As denúncias dos descontos irregulares foram feitas por motoristas da empresa Transurb S/A e posteriormente endossadas por funcionários da Viação Nossa Senhora das Graças.

As denúncias foram divulgadas pelo Jornal do Brasil (JB), que publicou o depoimento de um dos motoristas. Segundo o condutor, além do prejuízo financeiro, ele se sente humilhado pela situação. “Recebemos faltas e ganchos (suspensão) totalmente arbitrários por baixo carregamento de passageiros (quando não batem a meta de passageiros transportados estipulada pelas viações). Somos descontados por ‘vale-filmagem’, e nunca nos apresentam as gravações. Eu me sinto humilhado, pois (a medida) dá a entender que estão me descontando porque acham que fiquei com o dinheiro das passagens. Nas entrelinhas, estão nos chamando de ladrões”.

Os descontos que estão sendo feitos nos contracheques de motoristas de ônibus do Rio são considerados irregulares pela procuradoria. “Ainda que tenha quebrado alguma peça ou quebrado um ônibus, a responsabilidade do funcionário deve ser apurada antes de qualquer coisa. Algo diferente disso está errado”, explicou ao JB a procuradora Fernanda Diniz.

Segundo relata a matéria do jornal carioca, o “vale-filmagem” é aplicado a motoristas que deixam passageiros com direito à gratuidade, mas sem RioCard, entrar pela porta traseira, mediante a apresentação de identidade ou declaração escolar. O corte no salário vai de R$ 80 a R$ 200.

Já os vales “avaria” e “sinistro” referem-se a colisões ou danos aos ônibus dirigidos pelos motoristas, que alegam que as empresas fazem os descontos nos salários sem comprovar as supostas irregularidades.

Citada pelo JB, a procuradora Fernanda Diniz explicou que a será aberta nova investigação, “que ficará sob responsabilidade do mesmo colega que ajuizou ação civil pública contra a Transurb para apurar casos de funcionários que sobravam na escala”, referindo-se ao procurador Carlos Solar.

A denominação “sobras na escala” refere-se a outra reclamação dos funcionários das empresas de ônibus do Rio de Janeiro. As empresas escalam mais profissionais do que o necessário para atender os turnos, como forma de garantir a operação em caso de falta. Se o motorista fica como excedente, ele perde folgas ou até é descontado pelo dia “não trabalhado”, como se tivesse faltado ao expediente.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rogerio Belda disse:

    Há dois tipos de transporte coletivo publico urbano ; O regular e o “lota-cão” agora também regularizado. Os responsáveis são muitos nesta epopeia e inclui até mesmo passageiros com inadequados comportamentos … Quem viveu no início do século passado sabe que foram os serviço pioneiros de ônibus que garantiram a urbanização das grandes cidades que cresciam mais rápido que a competência do setor público também em transição.

  2. Thiago disse:

    So quero ver se é verdade
    Isso acontece em todas as empresas do rio

  3. Rossine De Souza Rosa disse:

    Espero que esta investigações vão até o fim, com certeza encontrar muita coisa, somos humilhados pelos empresários, gerências, desde os escalantes, eu apoio estas investigações..

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