Greve de ônibus em Manaus entra no sétimo dia e provoca revolta de usuários

Foto: Reprodução A Crítica/AM

Após trégua no domingo, categoria voltou a reduzir frota nas ruas da capital amazonense. Retenção de ônibus no Terminal 4 provocou revolta dos passageiros, que depredaram vários ônibus e chegaram a incendiar outro

ALEXANDRE PELEGI

Manaus voltou a ter paralisação de várias linhas de ônibus na manhã desta segunda-feira, dia 4 de junho.

Parte da frota chegou a sair para as ruas, de acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). Até as 6:30, 844 veículos deixaram as garagens das empresas, mas parte deles acabou retida no Terminal de Integração (T4).

REVOLTA DOS USUÁRIOS

A retenção dos ônibus no Terminal 4 causou a revolta dos passageiros do transporte público de Manaus, que chegaram a depredar alguns veículos na manhã desta segunda-feira. Usuários chegaram a destruir as grades do terminal, localizado na Zona Leste da cidade.

Pelo menos cinco veículos de diferentes empresas foram atacados com pedras, e tiveram janelas traseiras e dianteiras quebradas, segundo o portal A Crítica.

No bairro Cidade Nova usuários atearam fogo em um ônibus, após paralisarem uma avenida.

LIMINAR E MULTA

Na noite de ontem, domingo, uma determinação do Tribunal de Justiça do Amazonas estipulou que pelo menos 75% da frota deve circular nesta segunda-feira, 4 de maio. A decisão, assinada pelo juiz plantonista Antônio Gonzaga, acata um pedido do Ministério Público, e determinou também multa de R$ 1 mil por hora aplicada aos motoristas das empresas concessionárias do serviço público que descumprirem a decisão judicial.

Esta já é a décima greve dos rodoviários em 2018.

ACORDOS

Reunião realizada nesta sexta-feira, dia 1º de junho, entre as empresas e o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM), com a presença de membros do Ministério Público do Trabalho (MPT), produziu alguns acordos. Mas não o suficiente para encerrar a greve.

Da reunião ficou decidido um reajuste de 3,5% referente a 2017/2018, e 1,69% para 2018/2019. O pagamento com reajuste será feito em julho de 2018, até o quinto dia útil de agosto. Além disso, ficou acordada a contratação de 10% de horistas, intermitentes e funcionários em tempo parcial.

Outros pontos do acordo: parcelamento de multas dos motoristas em até 6 vezes (quantia de até R$ 1,5 mil) e fracionamento do intervalo intrajornada de 1h, não descontado da jornada.

O Sindicato das empresas, no entanto, não aceitou outros pontos propostos pelos rodoviários, como fracionamento de férias; a compensação de horas extras e feriados somente por acordo coletivo; abono das faltas dos grevistas; e a desistência do Sinetram do processo de dissídio coletivo.

Ontem, domingo, dia 3 de junho, os ônibus de Manaus operaram com frota considerada normal. O Sindicato dos rodoviários informou que resolveu normalizar a frota como “forma de trégua”. A greve, segundo o Sindicato, continuaria nesta segunda-feira.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

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Comentários

Comentários

  1. Rogerio Belda disse:

    Tenho repetido que o ônibus, no subconsciente coletivo, é “face do governo”, mesmo sendo um serviço concedido para ser prestado por empresas privadas sob a condição de concessão. Este aspecto, não muito evidente, é parte da explicação das agressões públicas a este serviço público, condição tão antiga quanto a agressão aos serviços de “bondes” ocorridas no século passado.

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