Empresário de transportes do Rio Grande do Sul é o primeiro preso por locaute na greve dos caminhoneiros

Foto: Polícia Federal / Divulgação PF cumpriu mandados de busca e apreensão em postos do município Vale Real, cidade próxima a Caxias do Sul

Prisão foi feita pela Polícia Federal por boicote empresarial. Empresário gaúcho teria ajudado a organizar a paralisação dos motoristas de caminhão

ALEXANDRE PELEGI

A Polícia Federal (PF) prendeu um empresário da área de transportes acusado da prática de locaute durante a greve dos caminhoneiros.

A prisão foi feita no Rio Grande do Sul, e é a primeira feita por esse motivo.

O empresário é acusado de ter ajudado de forma ativa a organizar a paralisação dos motoristas de caminhão.

A Polícia Federal não divulgou o nome do empresário, nem de sua empresa.  Em coletiva no fim da manhã desta quinta-feira o superintendente da PF no Rio Grande do Sul, delegado Alexandre Isbarrola, explicou: “A gente não pode abrir muitas informações para não prejudicar investigações que estão em andamento“.

O jornal GaúchaZH, de Porto Alegre, apurou que se trata de Vinicius Pellenz, dirigente da Irapuru Transportes Ltda., empresa com sede em Caxias do Sul. Segundo o jornal de Porto Alegre, a Irapuru tem 560 carretas e 15 filiais. A PF investiga ainda outros sócios da empresa e empregados que ajudaram a promover os bloqueios nas rodovias do estado.

O empresário teve a prisão temporária decretada pela Justiça Federal por cinco dias, podendo ser prorrogada por mais cinco dias.

Segundo a PF, o transportador teria atuado decisivamente em bloqueios de caminhões nas rodovias do estado do Rio Grande do Sul: RS-122, RS-452 e BR-116, região dos municípios de Bom Princípio, Feliz e Vila Cristina.

A investigação começou nesta quarta-feira, dia 30 de maio, após denúncias de que o administrador de uma grande transportadora estaria ameaçando caminhoneiros para que não fizessem o transporte de cargas.

Um dos policias envolvidos na Operação Unlocked afirmou haver relatos de motoristas obrigados a parar e retirados a força das cabines. Há também denúncias de motoristas de que armas de fogo foram usadas por pessoas ligadas à direção da empresa Irapuru para ameaçar os não grevistas.

Mais de 60 policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão na sede da empresa, em Caxias do Sul, e em postos de combustíveis e imóveis de Vale Real, município vizinho.

Na coletiva, a PF informou que a operação deflagrada hoje, chamada de Unlocked (desbloqueado), investiga o crime de atentado contra a liberdade de trabalho e associação criminosa.

O delegado Alexandre Isbarrola afirmou ainda que “um dos principais objetivos da quadrilha era provocar o desabastecimento na região da Serra e Região Metropolitana“.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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