Motoristas de ônibus de São Paulo viverão desafios da acessibilidade no transporte público

Ação de vivência promoverá inversão de papéis entre motoristas de ônibus, pessoas com deficiência e idosos

ALEXANDRE PELEGI

Para um motorista de ônibus, que dirige um veículo gigantesco no trânsito da capital, se colocar no lugar das pessoas mais vulneráveis é essencial.

“Inversão de Papéis – Desafio da Acessibilidade”, nome da atividade que a São Paulo Transporte (SPTrans) vai realizar, consiste na troca de papéis entre motoristas e pessoas com deficiência e idosos.

Em parceria com as empresas de ônibus e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, a iniciativa faz parte das atividades do Maio Amarelo, e será realizada na próxima terça-feira, dia 29 de maio, a partir das 9h30, no Memorial da Inclusão.

Com a inversão de papéis a atividade pretende trazer uma vivência maior aos condutores na questão do tratamento a esse público. Serão utilizados preferencialmente ônibus de empresas diferentes daquelas para as quais trabalham.

No Maio Amarelo de 2017 a atividade consistiu na troca de papéis entre motoristas de ônibus e ciclistas: os condutores foram pedalar, enquanto os ciclistas foram para dentro de um ônibus superarticulado guiado por um instrutor. Algo do tipo: coloque-se no meu lugar!

No dia 31 de outubro de 2017 a experiência foi repetida, desta feita com idosos.  Colocando-se no lugar de pessoas com mais idade, os motoristas de coletivos usaram uma vestimenta especial com peso nas pernas, braços e costas, além de óculos e fones de ouvidos, situações que simulam as limitações de uma pessoa idosa de 85 anos de idade. O objetivo: fazê-los enxergar esse público sob uma nova perspectiva.

ATIVIDADE

Participarão cerca de 30 motoristas, que se dividirão em quatro grupos.

O primeiro fará o percurso em cadeira de rodas; o segundo usará venda nos olhos; o terceiro grupo será produzido para que os motoristas se pareçam com pessoas idosas; e o quarto grupo fará o papel de acompanhante de uma pessoa com deficiência.

Um funcionário do departamento de Recursos Humanos das empresas de ônibus filmará o percurso dos motoristas, que estarão sem uniforme.

O trajeto termina no Memorial da Inclusão, onde os motoristas farão depoimentos para registrar a experiência. O material será utilizado pelo programa de treinamento das empresas operadoras, que oferece capacitação constante aos motoristas da cidade de São Paulo.

Por fim, os participantes participarão de uma roda de conversa com pessoas indicadas pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência.

O encontro quer proporcionar a troca de experiências necessária para incentivar a melhor convivência entre motoristas e passageiros especiais na rotina diária dentro dos coletivos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. FABIO RONALD CASTILHO DOS REIS disse:

    Como sempre só enchergam um único lado. Podiam colocar pessoas comuns no lugar dos MOTORISTAS para verem o quanto é dificil dirigir tendo que cuidar de MOTOCICLISTAS, PEDESTRES, CICLISTAS, CARROS PARTICULARES, ANIMAIS, ETC…

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