Consórcio formado pela Construtora Ferreira Guedes e pela espanhola Sacyr Construcción havia sido o único a entregar proposta para licitação de obras de R$ 1,7 bilhão da Linha Leste do Metrofor
ALEXANDRE PELEGI
O Consórcio FTS, formado pela Construtora Ferreira Guedes e pela espanhola Sacyr Construcción, pode ficar de fora da licitação da Linha Leste do Metrô de Fortaleza.
Único a entregar documentação para a licitação, no valor de R$ 1,7 bilhão, o consórcio teve sua habilitação negada pela Procuradoria-Geral do Estado do Ceará.
A procuradoria-geral, em decisão publicada nesta segunda-feira, dia 21 de maio de 2018, alega que a espanhola Sacyr não apresentou registro do governo federal para funcionamento do Brasil. O consórcio terá cinco dias para entrar com recurso e oito dias para proceder à entrega de novos documentos de habilitação.
A licitação para obras de expansão do metrô de Fortaleza – Linha Leste do Metrofor – ocorreu na última quinta-feira, dia 10 de maio, após dias de contestação na Justiça.
A Ferreira Guedes, com sede em São Paulo, é uma construtora de médio porte. Integra o grupo Agis, e possui no portfólio obras no metrô de São Paulo e de Salvador. O projeto de Fortaleza será o maior desse tipo já assumido pela empresa.
A Sacyr é uma empresa espanhola, com receitas em torno de € 3 bilhões, com presença em mais de 30 países. Atua no metrô de São Paulo por meio da subsidiária Somague.
Para o certame da construção da área de entrada para as máquinas tuneladoras (shaft) houve dez interessados, entre empresas e consórcios. Na lista de empresas interessadas para a conclusão do shaft da Linha Leste do Metrofor, edital de menor valor, estão: CG Construções; Construtora Cetro; Construtora Morais Vasconcelos; Construtora Platô; Edcon Comércio e Construções; Engexata Engenharia; Forteks Engenharia e Serviços Especiais; JBM Construções; Lomacon Locação e Construção; e Lumali Engenharia.
O Consórcio FTS foi o único a entregar proposta para o segundo edital, de “implantação das obras civis e sistemas de alimentação de energia elétrica catenária, telecomunicações, sinalização, controle, bilhetagem, ventilação e equipamentos de oficina da Linha Leste”, cujo valor é de R$ 1,7 bilhão.
HISTÓRICO
A empresa espanhola Acciona, que vencera a licitação inicial em 2013 em consórcio com a Cetenco, desejava retomar o contrato, suspenso em 2015. A empresa alega ter interrompido as obras por falta de pagamento, o que, segundo ela, teria ocorrido na forma de uma rescisão unilateral por parte do Governo do Estado do Ceará.
A Linha Leste do Metrofor avançou apenas 1% desde que o contrato foi assinado no final de 2013.
Em 2015, a Cetenco, líder do consórcio, abandonou o empreendimento alegando atrasos no pagamento por parte do Governo cearense. Em seu lugar entrou a Construtora Marquise S/A.
As obras que deveriam encerrar em novembro de 2018, atravessaram o ano de 2017 abandonadas. As peças de quatro tatuzões – máquinas tuneladoras usadas para perfuração dos túneis, estão abandonadas em um dos canteiros de obras, expostas às condições do tempo.
Em 23 de fevereiro, após intensas negociações, o Governo Federal autorizou verba de R$ 673 milhões, como contrapartida para a execução e retomada da obra.
No dia 9 de abril a Seinfra confirmou para o dia 10 de maio duas das quatros licitações para a continuidade do projeto da Linha Leste do Metrô de Fortaleza. Nesta fase serão implantados 7,3 km de extensão da linha que irá ligar o Centro de Fortaleza ao Papicu. Serão executadas uma estação de superfície (Tirol-Moura Brasil) e outras quatro subterrâneas (Chico da Silva, Colégio Militar, Nunes Valente e Papicu).
Os avisos da licitação foram publicados nos diários oficiais da União e do Estado no dia 6 de abril, incluindo jornais de grande circulação.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
