Estudo mostra que setor de transportes saiu da recessão, mas ainda não se recuperou

Com bandeira Elo, Cartão BOM poderá ser usado além do transporte urbano

Conforme números divulgados pela CNT, crescimento do setor foi de 0,9% comparando 2017 com o ano anterior

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Um estudo da CNT (Confederação Nacional do Transporte) mostra que o setor de transportes saiu da recessão, mas ainda não se recuperou. O crescimento do setor foi de 0,9% comparando 2017 com o ano anterior, enquanto o PIB nacional cresceu 1%.

A crise econômica teve início em 2014. Dois anos depois, o transporte foi a área que mais sofreu, registrando queda de 6,8%.

Segundo dados da CNT, no ano passado, o setor registrou um crescimento de 2,3% no volume de serviços e de 8,7% na receita nominal. Contudo, os números não foram o suficiente para superar as perdas do período da crise.

“A crise está sendo superada, mas a extensão e a profundidade da recessão tornam a recuperação do setor transportador mais lenta e difícil” – afirmou o presidente da Confederação Nacional do Transporte, Clésio Andrade, em nota.

Segundo Clésio Andrade, a recuperação do setor transportador e da economia em geral depende de fortes investimentos em infraestrutura. “O Brasil precisa de mais e melhores rodovias, portos, aeroportos e hidrovias para escoar a produção, aumentar a produtividade das empresas e gerar empregos.”

O estudo, chamado Transporte em Números, mostra que entre 2012 e 2016, os investimentos públicos federais “caíram de 0,25% para 0,18% do PIB. Em 2017, os índices de investimento pioraram ainda mais. Os desembolsos foram de apenas R$ 10,40 bilhões, representando apenas 0,16% do Produto Interno Bruto do país”.

“O Plano CNT de Transporte e Logística estima que é necessário cerca de R$ 1 trilhão para a solução dos problemas da infraestrutura no Brasil. Considerando o montante estimado para o investimento público federal em 2017, seriam necessários cerca de 100 anos para a realização de todas as intervenções identificadas pela CNT” – informou a Confederação, em nota.

AUMENTO DAS PASSAGENS

Ainda segundo o estudo, em 2017, enquanto a inflação brasileira ficou em 2,95%, o setor de transportes atingiu 4,10% no IPCA calculado pelo IBGE. “Esse resultado foi puxado pelo preço dos combustíveis, que registrou alta de 8,9% após a mudança nas alíquotas de PIS e Cofins. A gasolina subiu 10,32% e o diesel 8,35%”.

O aumento no preço dos combustíveis resultou num aumento das passagens dos ônibus intermunicipais em 6,84% e das tarifas de ônibus urbanos em 4,04%.

Confira detalhes divulgados pela CNT sobre cada área do setor de transportes:

Transporte terrestre

O transporte terrestre, que reúne os modais rodoviário e ferroviário, em 2017, apresentou redução das perdas acumuladas em 2015 (-10,4%) e 2016 (-10,4%). No ano passado, o volume de serviços cresceu 0,9%, e a receita nominal aumentou 7,5%.

Transporte rodoviário

Depois de sucessivas quedas entre 2014 e 2016, o fluxo de veículos nas rodovias concessionadas subiu 1,9% em 2017, retratando um crescimento de 2,2% no fluxo de veículos leves e de 1,1% no tráfego de veículos pesados.

Desde 2013, essa foi a primeira vez em que houve crescimento no fluxo de caminhões, refletindo uma pequena recuperação do setor rodoviário de cargas, principal meio de transporte de mercadorias no Brasil.

Em decorrência da grave crise econômica e do aumento de registros de roubos de cargas, no Rio de Janeiro, a recuperação do fluxo do transporte rodoviário, em 2017, está mais lenta e se mantém em índices negativos.

Veja, no gráfico, a comparação com São Paulo e Paraná, estados em que o fluxo do transporte rodoviário voltou a índices positivos no ano passado.

post_movimentacao.jpg

Licenciamentos

Em 2017, as empresas de transporte aumentaram ligeiramente o ritmo de aquisições de veículos para transporte de cargas e de passageiros. Nesse ano, foram registrados 88,62 mil licenciamentos de caminhões, ônibus e implementos rodoviários em todo o país. Esse é um crescimento de 4,4% em relação a 2016, mas os números ainda são muito inferiores aos 154,58 licenciamentos registrados em 2013.

A queda no número de licenciamentos afetou o tamanho e a idade da frota nacional. Em 2017, a frota circulante total de veículos aumentou 1,2% se comparada com 2016. Contudo a frota de caminhões teve crescimento insignificante (0,2%), e a de ônibus registrou queda de 0,9%.

Esse resultado deve se reverter nos próximos anos, já que o licenciamento de caminhões, ônibus e implementos rodoviários no Brasil cresceu 4,4% entre 2017 e 2016.

Ônibus e caminhões mais velhos

A idade média dos caminhões passou de 10 anos e 3 meses em 2016 para 10 anos e 8 meses em 2017. Na frota de ônibus, a idade média passou de 9 anos e 11 meses para 10 anos e 2 meses de 2016 para 2017.

Transporte ferroviário

Em 2017, a movimentação no transporte metroviário foi de 2,93 bilhões de passageiros, aumento de 0,7% em relação a 2016.

Com serviços orientados principalmente à exportação de mercadorias, como minério de ferro, soja e milho, as empresas de transporte ferroviário de cargas registraram crescimento de 10% em TKU (tonelada-quilômetro útil) e de 6,9% em TU (toneladas-úteis) em 2017 na comparação com 2016.

Já a venda de vagões continua em queda. Em 2017, a quantidade de vagões entregues pela indústria brasileira caiu 26,3%, a venda de carros de passageiros caiu 34,5% e a entrega de locomotivas foi 25,7% menor do que as vendas registradas em 2016.

Transporte aéreo

Os preços das passagens aéreas caíram. A tarifa média doméstica efetiva atualizada pela inflação registrou queda de 0,6% em 2017. Ao longo do ano, 52,9% das passagens vendidas ficaram abaixo de R$ 300,00.

Os dados sugerem que, em 2017, o setor obteve ganhos de eficiência e de produtividade. O número de decolagens caiu 2,3% em relação ao ano anterior, e o consumo de combustível teve queda de 1,6%. A distância voada aumentou 1,4%.

Ao mesmo tempo, o número de passageiros-quilômetro transportados (RPK) cresceu 2,3%, e a taxa de ocupação das aeronaves aumentou 2,4 pontos percentuais em relação a 2016.

Transporte aquaviário

Em 2017, o segmento aquaviário foi beneficiado pelo bom desempenho do comércio exterior e movimentou 1,09 bilhão de toneladas (embarque e desembarque), volume 8,4% maior do que o registrado em 2016.

Os terminais de uso privado (TUP) movimentaram 721,6 milhões de toneladas em 2017, acréscimo de 9,3% em relação a 2016, enquanto nos portos públicos foram 364,5 milhões de toneladas, o que corresponde a um aumento de 6,3% sobre 2016.

O fluxo de contêineres também registrou crescimento tanto em tonelagem (106,2 milhões de toneladas, crescimento de 6,1%) quanto em contêineres de 20 pés (9,3 milhões de TEUs, aumento de 5,7%).

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Deixe uma resposta