No Rio de Janeiro, 61% das linhas regulares circulam com menos ônibus do que deveriam

Troncal 10 (Jardim de Alah-Cruz Vermelha) tem frota estabelecida pela prefeitura de 38 veículos e rodou com apenas um

Levantamento mostra que, de 375 linhas, 229 apresentam o problema

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

No Rio de Janeiro, 61% das linhas regulares estão circulando com menos ônibus do que deveriam. Segundo um levantamento feito pelo jornal O Globo, de 375 linhas, 229 apresentam o problema.

A obrigação contratual dos consórcios é de manter pelo menos 80% das frotas rodando, segundo a Secretaria Municipal de Transportes, contudo, os números mostram que isso não está sendo cumprido.

Para obter os dados, o Globo cruzou informações de uma planilha da Prefeitura com o sistema de GPS dos ônibus. A conclusão desse estudo foi que, das linhas que não cumprem a exigência, 24,8% (correspondente a 93 linhas) operam com menos da metade da quantidade de veículos que deveriam manter. Entre elas, 60 circulam com apenas três ônibus.

O levantamento não considerou quatro linhas que possuem GPS, mas não aparecem na lista da Prefeitura.

Um dos casos citados pela reportagem é a Troncal 10 (Jardim de Alah-Cruz Vermelha), cuja frota estabelecida pela prefeitura é de 38 veículos. Quando foi feita a verificação, apenas um ônibus circulou no período estabelecido.

Caso o consórcio rode com menos ou mais ônibus do que o estabelecido pela Prefeitura, a multa prevista é de aproximadamente R$ 1.700.

AÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Segundo a promotora Christiane Cavassa, da área de tutela coletiva de defesa do consumidor do Ministério Público, existem mais de 120 ações civis públicas cobrando uma solução para o problema de falta de ônibus na cidade.

A prefeitura do Rio de Janeiro informou ao Globo que fiscaliza as empresas. Em nota, a Secretaria municipal de Transportes disse que, desde janeiro, aplicou 1.576 multas aos quatro consórcios de ônibus da cidade por descumprimento de regras vinculadas ao tamanho da frota. Contudo, não foi informado quantas destas foram pagas.

Segundo a Secretaria municipal de Transportes, “o setor de fiscalização está sendo reestruturado e reforçado, com o objetivo de atuar sobre todos os modais”. Atualmente, o serviço conta com 78 servidores, incluindo guardas municipais.

DESAPARECIMENTO DE LINHAS

A reportagem do Globo também mostra que algumas linhas do Rio de Janeiro estão “desaparecendo”. Exemplo disso é a extinção da 581 (Leblon-Cosme Velho) e da 582 (Leblon-Urca), o que ocorreu em dezembro de 2017.

A diretora da Associação de Moradores da Urca, Valéria Grynberg, diz que as linhas desapareceram com a falência da Transportes São Silvestre. Os itinerários que eram operados pela empresa não foram assumidos pelo consórcio Intersul.

Em nota enviada ao Globo, o Rio Ônibus afirma que as empresas filiadas ao sindicato estão com operações impactadas pela “pior crise econômica já enfrentada pelo setor”. O órgão diz ainda que trabalha com a Secretaria municipal de Transportes para que a situação seja “regularizada o mais brevemente possível”.

BURACOS NO CORREDOR TRANSOESTE DIMINUEM VELOCIDADE DO BRT

Outro problema apontado pela reportagem do Globo no transporte coletivo de passageiros no Rio de Janeiro é a quantidade de buracos no corredor Transoeste, que causam a diminuição da velocidade dos ônibus do sistema BRT (Bus Rapid Transit).

Segundo a reportagem, a situação está tão precária que os ônibus até saem do corredor entre as estações Pingo D’Água e Recreio Shopping. Um comunicado emitido pelo Consórcio BRT mostra que a precariedade do Transoeste resultou na redução da velocidade média dos ônibus de 70km/h para 20km/h.

A Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente informou que a recuperação da pavimentação depende da liberação R$ 35 milhões e de um minucioso estudo de suporte do solo. Porém, não há data certa para o repasse da verba.

Enquanto isso, a secretaria realiza uma operação tapa-buraco. Só este ano, foram 30 mil buracos fechados no trecho, de acordo com informações da reportagem do Globo.

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Comentários

Comentários

  1. Rogerio Belda disse:

    Parece-me inadequada a eventual visão de que “empresas & passageiros & órgãos concedentes” tem interesses conflitivos. Podem, eventualmente, serem divergentes, mas nada que não permita entendimento, exceto o, ainda existe, desconhecimento insuficiente das obrigações das partes envolvidas. Seria até interessante iniciar a conversa, listando quais são os seus interesses comuns! Rogerio Belda

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