Fundo dos Emirados Árabes e consórcio brasileiro pretendem entregar proposta à Odebrecht para compra da Supervia

SuperVia transporta 600 mil passageiros diariamente em 12 cidades do Rio de Janeiro.

Empresa tem dívida de R$ 1,5 bilhão e conta com R$ 100 milhões em caixa

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Um fundo dos Emirados Árabes e um consórcio brasileiro pretendem enviar propostas à Odebrecht TransPort para a compra da SuperVia, segundo informações do Globo. A empresa está à venda há mais de dois anos, tem uma dívida de R$ 1,5 bilhão e conta com R$ 100 milhões em caixa.

O consórcio é integrado pela Starboard Restructuring Partners, empresa brasileira que tem o fundo americano Apollo como acionista, e o RTM Brasil, que é formado por executivos do setor financeiro e de transporte.

De acordo com informações do Globo, a Starboard já tem uma proposta pronta, que deve ser entregue na próxima semana, assim que o fundo americano Apollo aprovar os valores. O fundo fará o aporte dos recursos.

O fundo soberano dos Emirados Árabes que mostra interesse na compra há um tempo é o Mubadala. Segundo o Globo, o grupo pensa em fazer uma terceira proposta para a compra da SuperVia. As duas primeiras já feitas foram consideradas insatisfatórias.

A SuperVia transporta 600 mil passageiros diariamente em 12 cidades do Rio de Janeiro. Os passageiros fazem queixas sobre vagões lotados e falta de fiscalização em vagões restritos a mulheres. Assaltos, invasões na linha férrea e outros inconvenientes também são citados por quem utiliza o sistema.

A SuperVia também está em uma disputa judicial com a Light, por haver desequilíbrio econômico-financeiro no contrato de concessão. Segundo informações do Globo, o aumento das contas de energia foi feito acima da inflação em 2015 e não foi repassado para a tarifa. Com isso, a SuperVia avalia uma dívida de R$ 44 milhões com a Light.

ATIVOS DA ODEBRECHT

Entre os ativos da Odebrecht TransPort, está os VLT do Rio de Janeiro e de Goiânia. Rodovias e empresas de logística também fazem parte dos bens da empresa.

O plano da Odebrecht, anunciado em 2016, era conseguir aproximadamente R$ 12 bilhões para atingir equilíbrio do caixa, por meio da venda de ativos. Até o momento, segundo o Globo, foram levantados R$ 7 bilhões.

Parte desse valor foi obtido por meio do fundo canadense Brookefield, que comprou a Odebrecht Ambiental e a concessão da rodovia Rutas de Lima, no Peru.

Entre os ativos, também está a hidrelétrica Chagla, do Peru, e a concessão do Gasoduto do Sul, no mesmo país.

No Brasil, a Odebrecht Transport já vendeu participações na Via Rio, por R$ 107,7 milhões, e na Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, que rendeu R$ 171,1 milhões. Em ambos os casos, a compradora foi a CCR.

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