Empresas de ônibus do DF podem receber R$ 30 milhões a menos após conclusão de estudos sobre custos do sistema

Empresas terão oportunidade de contestar estudo – Clique na Foto para Ampliar

Pioneira e Marechal vão receber subsídios menores. IQT deve mudar e estudo constatou brechas em bilhetagem eletrônica

ADAMO BAZANI

O GDF – Governo do Distrito Federal pode reduzir em aproximadamente R$ 30 milhões por anos os custos com o sistema de transportes.

Estudo elaborado pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, que analisou detalhadamente os contratos assinados em 202 e 2013, concluiu que os repasses às empresas devem mudar, com algumas reduções de repasses.

As alterações, conforme a bacia, devem ser as seguintes:

– Bacia 1 (Piracicabana): tarifa técnica não muda

– Bacia 2 (Pioneira): deve ter redução de 10,29% na tarifa-técnica

– Bacia 3 (Urbi): deve ter acréscimo de 3,13% na tarifa-técnica

– Bacia 4 (Marechal): deve ter redução de 7,44% na tarifa-técnica

– Bacia 5 (Expresso São José): deve ter acréscimo de 5,34% na tarifa-técnica

A economia de R$ 30 milhões com estas alterações representa 2,5% dos custos do sistema.

A proposta é que os novos valores entrem em vigor em junho.

Os resultados do estudo foram divulgados pelo GDF – Governo do Distrito Federal.

Os dados da apresentação do GDF você confere aqui:

Apresentacao-Coletiva-vfinal

Segundo nota do GDF, no estudo, estão os dados completos sobre saúde financeira das concessionárias do serviço, os custos de contratos publicitários e medidas para melhoria do sistema, entre outros. A consultoria externa foi contratada em janeiro de 2017, ao custo de R$ 4,8 milhões. Ela avaliou os acordos de concessão das cinco bacias em que o DF está dividido. Desse estudo, resultou documento de 1,4 mil páginas, com trabalho das cerca de 50 pessoas envolvidas.

O índice final de reduções e ampliações de subsídios ainda será debatido com as empresas, segundo o GDF. Inicialmente, não haverá mudanças no valor das tarifas pagas pelos passageiros, já que a FGV recalculou os valores das tarifas-técnicas, que correspondem à remuneração recebida pelas viações.

NOVO IQT:

Ainda segundo o Governo do Distrito Federal, o estudo propõe uma nova metodologia para calcular o IQT – Índice de Qualidade do Transporte.

Foram analisados, ainda de acordo com o poder público, modelos de cálculo usados no Brasil e em outros sistemas, como de Sydney (Austrália) e Londres (Inglaterra).

Os principais itens que vão formar o IQT serão:

– Cumprimento de horários

– Falha dos veículos em operação (quebra)

– Cumprimento de viagens

– Reclamações

– Reprovação de vistoria

– Acidentes de trânsito

– Irregularidades

– Limpeza

BILHETAGEM ELETRÔNICA TEM BRECHAS:

O estudo da FGV também propõe modernização do SBA – Sistema de Bilhetagem Automática, já que identificou “a necessidade de implementação de medidas que permitam identificar ações que possam comprometer a segurança da operação e a confiabilidade dos dados”,  conforme nota do GDF ao Diário do Transporte.

Os técnicos analisaram a configuração do sistema; a recarga de cartões, a emissão dos bilhetes; a operação da bilhetagem e venda de crédito e verificaram que deve haver mais rigor na gestão de restrição de cartões, como limitar o número de viagens e bloqueio em caso de uso irregular.

Entre os problemas identificados estão:

– Um CPF estar associado a diferentes RGs

– Manter CPF e CNPJ inválidos no banco de dados

– O fato de a senha de gestores não ter registro de atividades. Nesse último caso, o governo precisa estabelecer métodos de identificação de transações suspeitas, como frequência e excesso de uso.

Como soluções, a FGV propõe:

– Mais pontos de recarga, com sistemas que facilitem o carregamento de créditos para os passageiros, o que o GDF diz que tem feito desde a criação do Bilhete Único, em 22 de setembro de 2017, ampliando de seis para 33 postos.

– Adoção da possibilidade de recebimento da primeira via do Cartão + Brasília Cidadã no endereço cadastrado pelo usuário. Essa medida também vale para os cartões do Família + Vale Transporte.

– Distribuição do Cartão + Estudante nas Escolas e maior controle, para que somente o beneficiário possa usá-lo. Isso também vale para o Cartão + Especial

– Atualização periódica das chaves de acesso para que não haja quebra de criptografia nos cartões

LUCRO COM PUBLICIDADE DEVE SER SEIS VEZES MAIOR:

O estudo da FGV sobre o sistema de transportes do DF aponta que há possibilidade de aumentar de R$ 1 milhão para R$ 6 milhões por ano, o lucro com publicidade no sistema.

Para isso, o relatório propôs definição de nova metodologia para estabelecimento dos contratos. Dessa forma, foram sugeridos novos espaços de exploração, como terminais rodoviários e de estações do BRT. – diz a nota do GDF.

EMPRESAS TERÃO SE SEGUIR METODOLOGIA FINANCEIRA:

O levantamento também sugere a unificação de metodologia contábil entre todas as empresas para que haja um panorama mais fiel quanto à verdadeira saúde das viações e do sistema.

A FGV estabeleceu 18 indicadores da contabilidade para as empresas, como índice de gratuidades, receita média por quilômetro rodado e endividamento das empresas.

Toda a prestação de contas das viações deve ser feitas com base neste modelo contábil.

Em nota, o Secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, disse que havia uma série de questões ainda não esclarecidas sobre os contratos com as empresas de ônibus.

“O relatório tira uma série de dúvidas em relação aos contratos. É uma avaliação independente, fora da secretaria para dar outro olhar a esses contratos”

Já o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, disse que as regras dos contratos da licitação que ocorreu no sistema continuam sendo seguidas, mas que será possível trazer melhorias nos serviços sem alterações profundas no que já foi estabelecido para as empresas.

“Nós recebemos esse modelo, foi feita uma licitação, e o que nós buscamos agora é um olhar externo para saber se as regras postas pela licitação nos permitem buscar mais eficiência”, disse Sampaio.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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