Ex-governador Silval Barbosa afirmou que empresas de ônibus ofereceram R$ 6 milhões em propina

Silval informou ter recebido R$ 200 mil “indiretamente”.

Pagamento seria feito em parcelas durante 60 meses e, segundo o delator, R$ 400 mil foram adiantados ao procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Em delação premiada, o ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa disse que um grupo de empresas de ônibus ofereceram R$ 6 milhões para obterem vantagens indevidas. A informação foi dita ao STF (Supremo Tribunal Federal), segundo informações da Agência da Notícia.

Entre as vantagens, estava a publicação de um decreto determinando que as concessões das linhas do transporte coletivo fossem renovadas sem licitação.

De acordo com o delator, o valor seria pago em 60 meses. Do total, R$ 400 mil teriam sido adiantados ao procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o “Chico Lima”. Silval informou ter recebido R$ 200 mil “indiretamente”.

O decreto foi publicado em 2014, por intermédio de Chico Lima. Ainda segundo a Agência da Notícia, a delação de Silval e do ex-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, foram usadas como base para a deflagração da Operação Rota Final, da Delegacia Fazendária.

A operação tem como objetivo apurar fraudes em concessões do sistema intermunicipal de transporte do Estado.

De acordo com o ex-governador, Chico Lima teria realizado as tratativas com o empresário Eder Augusto Pinheiro, administrador da Real Norte Transporte S/A e Verde Transporte LTDA., que representava as outras empresas do ramo do transporte coletivo. Eder foi preso pela operação, mas já está em liberdade.

“A suspeita é que o suposto estudo tenha sido encomendado com o propósito de produzir argumento contra o mandado de segurança impetrado pelo MPE/MT e liminar já concedida [contra o decreto] e, ainda, obstaculizar as medidas administrativas para revogação do decreto inconstitucional, demonstrando criminosa união de propósitos com os autores do referido dispositivo legal, a revelar sua relação com os fatos narrados pelo colaborador [Pedro Nadaf]” – diz trecho da investigação.

A promotora da Justiça Ana Cristina Bardusco pediu um novo interrogatório de Silval Barbosa para falar sobre os detalhes das negociações e o repasse de R$ 200 mil.

AMEAÇA

Os investigadores da Defaz (Delegacia Fazendária) registraram uma ameaça feita pelo empresário  Eder Pinheiro, dizendo que iria mandar agredir seu concorrente no mercado de transportes, o também empresário Isac Azevedo, da Viação Novo Horizonte.

Segundo informações do Agora MT, Eder soltou a declaração durante uma conversa com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário e Passageiros do Estado de Mato Grosso, Julio Cesar Sales Lima.

A conversa foi registrada em 23 de janeiro deste ano, por meio de uma conversa interceptada durante a Operação Rota Final, que apura suposto esquema de fraudes em concessões do sistema intermunicipal de transporte do Estado de Mato Grosso.

HISTÓRICO

Uma operação da Defaz (Delegacia Especializada de Combate aos Crimes Fazendários) resultou em quatro prisões no Mato Grosso em 25 de abril de 2018. A ação é contra fraudes nas concessões do sistema intermunicipal de transporte do estado.

De acordo com informações do portal MidiaNews, foram nove ordens judiciais cumpridas e quatro mandados de prisão. Um dos presos foi o empresário e presidente do Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário Julio Cesar Sales Lima.

A sede da Ager (Agência Estadual de Serviços Públicos) foi um dos alvos da operação, assim como o ex-presidente da agência, Eduardo Moura. As empresas Viação Xavante e Verde Transportes também estão sendo investigadas.

O diretor financeiro da Verde Transportes, Max William de Barros Lima, também estaria entre os investigados, conforme informações do MidiaNews. O portal tentou contato com o sindicato, que não quis falar sobre o assunto. A operação está sob segredo de Justiça.

É possível que a investigação seja fruto de um dos trechos da delação de Silval Barbosa, ex-governador, que citou um esquema para prorrogar a concessão dos serviços de transportes intermunicipais. A moeda de troca seria uma propina no valor de R$ 6 milhões, paga em 60 meses.

Segundo Barbosa, teria sido feito um adiantamento de R$ 400 mil, pelo presidente da Verde, Eder Augusto Pinheiro. O empresário foi conduzido para prestar depoimento na Defaz, na manhã desta quarta-feira.

O caso teria sido arquitetado, segundo Silval, pelo ex-procurador Francisco Gomes de Andrade Lima Filho. Os empresários do setor sofriam a pressão de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Ministério Público e o Estado em 2012, de acordo com informações da Folhamax.

 

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