Levantamento foi feito pelo G1. Como policiais não atuam mais na fiscalização, crime age mais livremente para controlar transportes coletivos e afugentar ônibus
ADAMO BAZANI
Com a gestão do prefeito Marcelo Crivella, as vans do transporte clandestino estão atuando com mais facilidade no Rio de Janeiro.
Em 2017, primeiro ano da gestão, foram apreendidas 447 vans, número 78,54% menor que as 2.083 remoções de 2016. Em 2014, foram 5.217 remoções, o maior número desde 2013.
O levantamento foi feito pelo G 1 Rio, em reportagem assinada por Gabriel Barreira.
As vans, por vezes, aproveitam as brechas deixadas pelo sistema de ônibus regular, mas também há um quadro pior: os serviços de ônibus são hostilizados pelos responsáveis pelas vans, com depredações de estações do BRT, ataques aos coletivos e até mesmo ameaça aos moradores para obrigá-los a ir de vans e não pegar os ônibus.
Essa força para prejudicar os serviços de ônibus só é possível porque por trás da atuação das vans não há apenas motoristas simples que se organizaram.
Relatório da inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro mostra que as vans representam em média 70% do lucro das milícias e também fazem parte da arrecadação de traficantes de drogas.
Para piorar, as fiscalizações que contavam com a atuação de policiais militares, agora só dependem dos fiscais comuns da prefeitura, que, claro, têm medo de até abordar alguns veículos. Todos sabem de quem são determinadas vans (ou suas autorizações).
As vans em si, não pertencem aos milicianos ou traficantes, mas eles dão as cartas: organizam as linhas e os veículos que podem circular. Estes criminosos cobram percentuais dos motoristas, que se não pagarem podem ser mortos. Em troca, os criminosos prometem “segurança” para as vans trabalharem: segurança contra eles mesmos, contra os bandidos comuns , contra as fiscalizações e até mesmo contra a polícia.
Com fiscalização mais frouxa, a prefeitura do Rio arrecada menos também. Em 2017, foram R$ 3,5 milhões (R$ 3.539.240,15), enquanto que, em 2016, o total de multas foi de R$ 8,8 milhões (R$ 8.867.493,50).
Já para o lado do crime, a arrecadação é bem maior. De acordo com o Ministério Público Estadual, ainda segundo a reportagem, os criminosos que administram as vans somente em Campo Grande e Santa Cruz lucram R$ 27 milhões por mês.
Se no primeiro ano da gestão, Crivella relaxou na fiscalização das vans, no segundo ano, até agora, a média de apreensões é ainda menor, segundo a reportagem: Nos três primeiros meses de 2017, foram removidas 12 vans piratas por dia, em média. Nos três primeiros meses deste ano, a média diária ficou em três remoções.
Como resposta, Secretaria Municipal de Transportes disse que realiza fiscalização diária sobre todos os modais de transportes públicos do município, em três turnos, com o apoio da Secretaria Municipal de Ordem Pública e da CET-Rio. Já sobre a retirada dos policiais, a pasta informou que estuda novas formas de intensificar as fiscalizações.
Até agora, desde o início da gestão Crivella, de acordo com a resposta da secretaria, 173 vans irregulares foram removidas e 2.998 autuações foram aplicadas por irregularidades do modal.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
