Criciúma aposta em racionalização para diminuir custos e empurra reajuste de tarifa dos ônibus para 2019

Prefeito de Criciúma anuncia que não haverá reajuste dos ônibus em 2018. Foto: Beatriz_Formanski / Prefeitura

Após redução nas linhas, prefeitura teme perder mais passageiros, o que pressionaria por mais aumento

ALEXANDRE PELEGI

Após a implantação de um plano de racionalização das linhas de ônibus na cidade, realizado em fevereiro deste ano, a prefeitura de Criciúma decidiu não aumentar o valor da tarifa em 2018. A cidade, localizada no estado de Santa Catarina, tem mais de 200 mil habitantes.

A previsão era que a tarifa dos ônibus tivesse reajuste em julho, conforme o contrato de concessão.

Em anúncio feito pelo prefeito Clésio Salvaro, nesta segunda-feira (23), a passagem dos ônibus urbanos do município só sofrerá reajuste daqui a um ano, ou maio de 2019.

As atuais concessionárias do transporte urbano local apoiaram o decreto municipal, em reconhecimento à necessidade de conter a crescente evasão de passageiros do sistema. As empresas Auto Viação Critur Ltda, Expresso Coletivo Forquilhinha Ltda e Zelindo Trento e Cia Ltda estão reunidas na Associação Criciumense de Transporte Urbano – ACTU, que opera o sistema de bilhetagem eletrônica do município.

Além do preço da tarifa congelado, a prefeitura estuda outras medidas para conter os custos da operação.

No anúncio da medida, o prefeito Clésio Salvaro afirmou que não aumentar a tarifa visa interromper a evasão. Segundo o prefeito, o aumento do valor da tarifa acaba reduzindo o número de passageiros, o que pressiona por novo aumento da tarifa. Pelos dados apresentados, o sistema tem perdido 400 mil viagens a menos anualmente.

A engenheira civil da Diretoria de Trânsito e Transporte (DTT) de Criciúma, Caroline Paim Zanette, explicou a racionalização do sistema: “Passamos por um período de análise e a partir de fevereiro iniciou o processo de aplicação. Era preciso racionalizar o transporte. O sistema operava para 1,5 milhão de passageiros por mês. Com o passar dos anos, o número de usuários diminuiu. Com base no estudo, transportamos 950 mil passageiros por mês, embora nossa capacidade seja projetada para 1,3 milhão, já que nossa intenção é que o número de passageiros volte a crescer com essas melhorias”.

Apesar das críticas dos moradores, que se queixam da diminuição da oferta de ônibus e do aumento do tempo de espera nos pontos, o prefeito afirmou que isso é necessário para reduzir os custos do sistema, evitando novo aumento da tarifa.

“Quando vou a alguma festa de igreja ou evento em um bairro, as pessoas me procuram para dizer que agora têm que esperar mais na parada de ônibus, porque há menos horários. Mas o momento exige medidas corretas, e não demagogas”, argumentou o prefeito em declaração ao jornal “A Tribuna”.

O prefeito afirmou que a racionalização das linhas continuará a acontecer. Caroline Zanette, da DTT, coordena uma comissão formada no ano passado que busca medidas que tornem o transporte coletivo no município mais eficiente, reduzindo custos, para reduzir a pressão na tarifa.

“Não faz sentido sair com quatro ônibus praticamente vazios para a mesma região da cidade. Desde fevereiro, com as adequações, reduzimos em 14% a quilometragem rodada pelos veículos. Também temos sempre a preocupação de suprir a demanda nos horários de pico”, afirmou a engenheira.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Limpopo disse:

    Podiam usar ônibus menores a fim de evitar o aumento dos intervalos.

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