Em Salvador, ambientalistas protestam contra corte de árvores para instalação do BRT

Imagem: simulação do futuro corredor BRT de Salvador

Prefeitura rebate críticas, e diz que implantação do modal prevê compensação e transplantio de árvores

ALEXANDRE PELEGI

O início das obras de implantação do BRT em Salvador está causando polêmica na área ambiental.

Neste domingo, dia 22 de abril, centenas de pessoas realizaram um ato em protesto contra a obra de implantação dos corredores. Estavam presentes famílias, jovens e crianças. O protesto, convocado por grupos ambientalistas de Salvador, foi realizado no trajeto em que será implantado a primeira fase do BRT, na avenida Juracy Magalhães Jr.

Um dos motivos do ato foi denunciar o corte de 579 árvores. Segundo a prefeitura, a remoção das árvores é necessária para a implantação do corredor exclusivo de ônibus, que prevê replantio e compensação.

As obras do primeiro trecho do BRT de Salvador tiveram início no dia 29 de março de 2018. Com 2,9 km de extensão, o trecho ligará a região do Parque da Cidade à estação de integração do metrô na área da rodoviária e Shopping da Bahia. O segundo trecho do BRT, com 5,5 km de extensão, ligará o Parque da Cidade e a Lapa.

O coordenador-executivo da ONG Gambá, Renato Cunha, afirmou durante o ato, segundo o Jornal Massa: “Este espaço é cheio de árvores. Com esse projeto do BRT, tudo isso será perdido. Será um patrimônio paisagístico perdido”.

Além da ONG Gambá, outras entidades e organizações participaram do ato, como o Movimento Salvador Sobre Trilhos, Jaguaribe Vivo, Fundação Terra Mirim, entre outros.

Para Renato Cunha, “não há proposta de compensação que resolva isso daqui. Há árvores que estão aqui há muitos anos. E tem também a questão do projeto em si que a gente acha que não vai melhorar. Não tem demanda suficiente para este investimento“.

Luís Prego, um dos coordenadores do Movimento Salvador Sobre Trilhos, considerou o custo da obra “absurdo“. “Vão suprimir a vegetação desnecessariamente. Já existe a faixa exclusiva de ônibus que é subutilizada“, frisou.

Um abaixo assinado formulado pela organização do movimento está coletando assinaturas contra o corte das árvores.

Outro motivo de crítica dos protestos deste domingo refere-se ao custo da obra. Segundo o Ministério das Cidades, o custo total da obra está orçado em R$ 820 milhões. O valor é o mais caro quando comparado ao de outras regiões do país.

Por fim, os manifestantes protestaram também contra o revestimento dos rios Lucaia e Camarajipe.

PREFEITURA REBATE: “IMPLANTAÇÃO DO BRT PREVÊ COMPENSAÇÃO E TRANSPLANTIO DE ÁRVORES”

Em nota publicada hoje em seu site, a Prefeitura de Salvador argumenta contra as críticas dos ambientalistas:

“As obras de implantação dos corredores exclusivos do BRT (sigla para “ônibus rápido” em inglês) asseguram a compensação por árvores suprimidas, além do transplantio de vegetais, paisagismo, ciclovia e construção de áreas de convivência. No total, serão 154 árvores suprimidas e 169 transplantadas para o entorno dos próprios corredores e Parque da Cidade. Além disso, duas mil novas espécimes oriundas da Mata Atlântica serão plantadas na cidade como compensação, seguindo o que determina o Plano Diretor de Arborização Urbana de Salvador, elaborado pela Prefeitura e aprovado em 2017.

A compensação já começou na semana passada, com o início do plantio de 300 novas árvores na Via Expressa, todas de espécimes da Mata Atlântica. Outras 1,7 mil árvores serão plantadas no entorno do BRT, que vai ligar a Estação da Lapa à região da rodoviária. Na primeira etapa das obras, executadas pelo Consórcio BRT, os corredores irão ligar o Parque da Cidade à região da rodoviária, num investimento de R$212,7 milhões, obtidos via financiamento junto à Caixa Econômica Federal, com a geração de 700 empregos diretos”.

Na segunda parte da nota, a Prefeitura detalha os benefícios do BRT para a cidade:

“O BRT é um ônibus articulado de 23 metros de cumprimento, climatizado, com capacidade de beneficiar 31 mil pessoas por hora em horários de pico, isso com mais conforto, segurança, comodidade e agilidade do que o sistema convencional, pois vai circular em via segregada de tráfego, sem passar por semáforos ou pegar engarrafamento. Cada veículo do BRT, que terá velocidade máxima de 40km/h, poderá transportar até 170 passageiros por viagem.

O acesso a um veículo do BRT será via estação, com paradas programadas e monitoradas via GPS, com acesso via plataforma e através de portas largas, favorecendo o rápido embarque e desembarque. O novo modal vai beneficiar 340 mil pessoas que diariamente utilizam o ônibus comum para circular entre as avenidas Vasco da Gama, Juracy Magalhães e ACM, por onde o BRT, que será integrado ao metrô, vai passar saindo da Lapa até chegar à região da rodoviária.

As intervenções, que devem durar 28 meses na primeira etapa, ainda envolvem a construção de três viadutos, sendo um no sentido Parque da Cidade/Lucaia, outro na direção Parque da Cidade/Iguatemi e mais um no Iguatemi, perto do viaduto Raul Seixas. No Cidadela e na região do Hiper, serão erguidos elevados paralelos para a implantação das estações em cada um desses locais.

Os viadutos irão permitir a eliminação de cruzamentos, sinaleiras, retornos e diminuir os engarrafamentos. Já os elevados irão abrigar as estações do BRT, com toda acessibilidade, segurança e conforto. Além disso, uma ciclovia segregada será construída entre a Lapa e a área do Shopping da Bahia. E, abaixo dos viadutos e elevados, áreas de convivência com praças e jardins serão implementadas. Vale lembrar que todo o projeto do BRT foi discutido em várias audiências, inclusive com a presença do Ministério Público da Bahia, e que moradores de áreas como Nordeste de Amaralina, Santa Cruz e Vale das Muriçocas desejam já muito tempo contar com um transporte de massa de média ou grande porte.”

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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