Mortes no trânsito diminuem enquanto óbitos por acidentes com bicicletas aumentam em São Paulo

De 73 ocorrências de trânsito com morte de ciclistas no primeiro trimestre de 2017, o número passou para 86. Foto: Fotos Públicas

Ao todo, foram registrados 13 óbitos a mais de ciclistas entre janeiro e março de 2018

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

O primeiro trimestre de 2018 registrou uma queda de 7,1% em mortes por acidente de trânsito no Estado de São Paulo, passando de 1.298 para 1.206 ocorrências. Contudo, o número de óbitos de ciclistas no trânsito apresentou um aumento de 17,8%.

De 73 ocorrências de trânsito com morte de ciclistas no primeiro trimestre de 2017, o número passou para 86 neste ano. Um aumento de 13 óbitos, segundo dados do Infosiga SP, sistema do Governo de São Paulo que divulga mensalmente dados sobre acidentes de trânsito no Estado.

Para Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica e professor da USP, o aumento dos acidentes justifica-se em parte porque existem mais pessoas na cidade que utilizam as bicicletas. Outro fator é que tanto ciclistas quanto motoristas desobedecem às leis de trânsito, portanto a educação contribui para o aumento das estatísticas.

“A infraestrutura também é precária. A maioria dos usuários de bicicleta mora na periferia e a utiliza como um modo de aumentar sua renda, economizando, por exemplo, com passagens de transporte público. No entanto, são justamente nessas partes da cidade em que a infraestrutura é mais precária. Falta de sinalização, de proteção, e ruas sem calçadas são alguns dos problemas que esses ciclistas enfrentam” – informou o especialista ao Jornal da USP.

Segundo informações do Governo do Estado, a prevenção de acidentes envolvendo bicicletas é um dos focos de trabalho do Movimento Paulista. “Temos atuado junto aos municípios e contemplado projetos que favorecem esse grupo, incluindo a construção de ciclovias e melhorias na sinalização. Mas é fundamental que os demais atores do trânsito tenham mais cuidado com o ciclista, que merece sempre nosso respeito e atenção” – afirmou Silvia Lisboa, coordenadora do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito.

ACIDENTES DE TRÂNSITO

Os dados do Infosiga SP revelam que, além da redução de 7,1% no número de óbitos em acidentes de trânsito no primeiro trimestre, o mês de março também apresentou uma queda. Foram registrados 445 óbitos frente a 473 no mesmo período de 2017, uma queda de5,9%.

Nas vias municipais, ruas e avenidas somaram 581 óbitos no primeiro trimestre, uma redução de 11,4%, pois foram 656 casos em 2017. Nas rodovias que cortam o Estado, foram registradas 512 fatalidades, redução de 3,6%, por terem sido registrados 531 casos no mesmo período do ano passado.

Os motociclistas ainda lideram as estatísticas, mas houve redução de 6,8% entre janeiro e março (412 óbitos contra 442 em 2017). Também houve diminuição no número de fatalidades envolvendo pedestres: -10,6%, sendo 337 registros contra 377 no ano passado. Ocupantes de automóveis aparecem na terceira posição, com redução de 0,7% (275 óbitos contra 277), segundo dados do Infosiga SP.

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Comentários

Comentários

  1. Não faz sentido! Então as ciclovias do Haddad foram para o pessoal de Pinheiros? Único colégio eleitoral da cidade onde ele venceu na última eleição, de classe alta. Esse aumento do uso de bikes na periferia foi gerado pq? Já que a infra continua horrível lá? E se esse é o meio de transporte mais usado pela camada mais carente, com certeza ela não aprovou as ciclovias, dado o fracasso histórico nas urnas do ex-prefeito, em especial na periferia. Quanta demagogia mais, para fugir do erros? Ciclovias mal planejadas/executadas, pura propaganda eleitoral, sem seguir regras internacionais básicas de segurança como separar a ciclo das vias de carros quando acima de 50km/h, e não colocar um cone pra isso. Eis a responsabilidade dessas mortes, na conta do ex-prefeito e sua ciclovia, que a imprensa que fez hype, agora tenta tergiversar sobre a culpa.

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