Americana (SP) adota sistema radial e extingue linhas de ônibus bairro a bairro

Foto: João Vitor Varella Avance Site Ônibus Brasil

Viação Princesa Tecelã informa que ponto final de todas as linhas da cidade será no Terminal Metropolitano. Ligação bairro a bairro exigirá integração

ALEXANDRE PELEGI

A partir do dia 28 de abril de 2018 o ponto final de todos os ônibus de Americana, cidade do interior paulista, será no Terminal Metropolitano.

A informação é da VPT – Viação Princesa Tecelã, empresa que opera o transporte urbano na cidade. Segundo a VPT, a operação passará a ser pelo sistema chamado ‘radial’, saindo dos bairros em direção ao Centro da cidade.

Segundo a VPT, e mudança visa a diminuir o tempo das viagens, e a aumentar a oferta de ônibus. Em nota expedida na sexta-feira, dia 6 abril, a VPT informou que o sistema “possibilita um número maior de viagens em todas as linhas, principalmente aos sábados e domingos, o que gera uma oferta maior de ônibus. O intervalo entre as partidas nos bairros também diminuirá”.

Com a mudança no sistema das linhas, os usuários que precisarem se deslocar para outros bairros terão de fazer integração. Para isso, precisarão portar o Cartão Mais Americana, que permite realizar a integração gratuitamente durante uma hora.

A VPT espera que, com a mudança, o número de usuários da bilhetagem eletrônica deva aumentar. No sistema radial, que liga os bairros ao centro, os usuários bairro-a-bairro precisarão tomar outra linha para acessar o destino final.

Para atender ao aumento da demanda, a sede da empresa VPT, que também é a gestora do sistema de bilhetagem, foi transferida para o Terminal Metropolitano, ampliando os pontos de recarga e com local para o cadastramento dos usuários.

A empresa acredita que “a utilização do cartão gera ainda mais agilidade no embarque, bem como torna o serviço mais seguro para motoristas e usuários, uma vez que reduz a circulação de dinheiro nos coletivos”.

O incentivo ao uso do cartão eletrônico, em lugar de dinheiro, se dá ao mesmo tempo em que já se percebe uma diminuição do número de cobradores nos coletivos na cidade. Matéria do jornal “O LIBERAL” de Americana, de 23 de março deste ano, flagrou motoristas acumulando a função dentro dos ônibus.

Na reportagem, o jornal lembra que uma lei municipal de nº 4384, de 2006, proíbe que os ônibus utilizem tecnologia para substituir os cobradores, assim como impede o acúmulo de funções de motorista e cobrador.

A legislação permite, no entanto, que as empresas podem deixar de cumprir a regra caso o custo global com a mão de obra dos cobradores seja superior a 30% da receita arrecadada por eles.

Em novembro de 2017 a prefeitura de Americana decretou a caducidade do contrato de concessão do serviço de transporte público com a VPT. No decreto, ficou determinado que a empresa deveria continuar atuando na cidade até que outras concessionárias fossem contratadas emergencialmente.

Em fevereiro deste ano, conforme noticiamos, a empresa VPT precisou entrar em acordo com a VB Transportes por conta de uma ordem judicial de busca e apreensão de 38 ônibus do transporte municipal. A VPT alugou da VB, em julho de 2017, 46 ônibus para operar no lugar da VCA – Viação Cidade de Americana, descredenciada pela prefeitura. Desde então, não pagou o aluguel dos veículos, em torno R$ 4,3 mil por ônibus, a um custo total de R$ 198 mil por mês. A dívida já ultrapassa R$ 840 mil. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/02/10/vpt-entra-em-acordo-com-vb-para-nao-faltar-onibus-em-americana/

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

5 comentários em Americana (SP) adota sistema radial e extingue linhas de ônibus bairro a bairro

  1. Prezado jornalista:
    “a mudança visa a diminuir o tempo das viagens, e a aumentar a oferta de ônibus”.
    Seria possível obter e publicar o estudo técnico que fundamente esta afirmação?
    Seria possível esclarecer se esta afirmação é uma verdade para os passageiros ou uma verdade para as empresas de ônibus, ou para ambos?
    Explico:
    O tempo de viagem pode diminuir. Mas somente a viagem até o terminal central. Mas o passageiro tem que desembarcar, aguardar outro veículo, embarcar e transitar até o destino final. Neste caso, para o passageiro , diminuiu o tempo da viagem?
    Seria possível fazer uma reportagem com mais conteúdo investigativo?

    • blogpontodeonibus // 8 de Abril de 2018 às 13:52 // Responder

      Nós reportamos a informação fornecida pela empresa. Evidente que, não só em Americana, como também em São Paulo, ou qualquer cidade brasileira, quanto mais integrações o passageiro tiver de fazer, mais longa ficará sua viagem. Simples: o transporte por ônibus não tem prioridade em nossas ruas. Logo, ao contrário do metrô, não há como garantir frequência e regularidade no serviço. Sem transporte regular, o que só é possível com prioridade nas vias – com corredores, faixas exclusivas, etc -, todo e qualquer sistema sofrerá as consequências (leia-se, o passageiro). É simples: quanto mais ‘baldeações”, maior a chance de espera. E portanto, mais longas serão as viagens. Fica claro na matéria que a mudança atende ao operador. Resta saber se atenderá aos usuários.

      • Obrigado pelo retorno.
        Quando estudamos “transportes”, aprendemos que o conceito de “hub”, ou terminal consolidador é uma das modaliades de organizar a malha de transportes. o hub é usado no transporte aéreo, marítimo e rodoviário e temos os aeroportos, portos e terminais concentradores e distribuidores de fluxo.
        O conceito de “hub”tem como contraponto, o conceito de fluxo “ponto a ponto”. O modelo de terminais concetradores, é válido para diminuir custos de operação e viabilizar rotas que seriam economicamente inviáveis (no modelo ponto a ponto), pela baixa demanda de usuários ou cargas.
        Entretanto, o tempo de viagem , via de regra, é maior, e o usuário, em contra-partida ao menor custo “nominal”, paga um bom preço em “tempo de travessia”. O impacto ou se agrega ou retira valor, depende de cada usuário. Para um jovem estudante, uma baldeação e meia hora a mais, pode não ter custo. Para uma mãe ou pai de família, pode ter um custo razoável. Enfim, gostaria de ler o estudo técnico da prefeitura, se é que ele foi feito, para avaliar academicamente o seu conteúdo.

      • blogpontodeonibus // 8 de Abril de 2018 às 15:31 //

        Creio que a única forma é questionar a prefeitura, apesar do anúncio ter sido feito pela empresa concessionária. Vamos questionar se existe algum estudo. Grato.

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