Prefeitura de Botucatu abre mão de outorga para manter valor atual da tarifa de ônibus

Após decretar quebra de contrato com atuais empresas no início do mandato, prefeitura publicou novo edital de licitação, suspenso pelo TCE. Empresas seguem operando na cidade

ALEXANDRE PELEGI

Mário Pardini, prefeito de Botucatu, cidade do interior paulista, vem mantendo a posição de não aumentar a tarifa do ônibus, hoje em R$ 3,35, enquanto não se resolver a questão contratual.

Na noite desta quarta-feira (14), em reunião extraordinária do Conselho Municipal de Transporte Coletivo do município, discutiu-se novamente o reajuste da tarifa, que foi reajustada pela última vez em janeiro de 2016.

A reunião foi convocada pelo Secretário Municipal de Infraestrutura, André Peres, que alegou ser necessário continuar com o contrato com as empresas concessionárias, uma vez que a licitação para o transporte local foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado.

Logo no primeiro mês de mandato a prefeitura rescindiu o contrato com as empresas que prestam o serviço de transporte, Stadtbus Transportes e Viação São Dimas. A administração municipal lançou um novo edital, que acabou barrado após decisão da Justiça, o que manteve os contratos atuais em andamento.

As empresas que continuam prestando o serviço de transporte público na cidade solicitaram oficialmente para que a tarifa seja reajustada para R$ 3,91. A prefeitura, no entanto, apontou que pelas fórmulas contratuais vigentes o valor correto deveria ser de R$ 3,70.

O prefeito Mário Pardini não aceita repassar a diferença de R$ 0,35 ao usuário.

Para isso, portanto, ele deverá solicitar autorização à Câmara Municipal para que possa usar o fundo do transporte para cobrir a diferença, sem precisar altera o valor final da tarifa. O dinheiro do fundo provém de valores pagos pelas empresas de ônibus pela exploração do serviço de transporte coletivo.

Após a reunião do Conselho nesta quinta-feira (14), o prefeito explicou sua posição: vai abrir mão da outorga, aliviando o novo valor em alguns centavos, e solicitar que o fundo do transporte, proveniente da tarifa paga pelo usuário, banque a outra parte do reajuste, mantendo o valor em R$ 3,35.

“É um esforço que temos que fazer, mas pensando exclusivamente na população que precisa do transporte”, explicou o prefeito.

A decisão agora cabe à Câmara Municipal. Os vereadores deverão votar a autorização para que o Fundo do Transporte Coletivo seja utilizado pelo período de 18 meses na composição da próxima tarifa.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: