Grupo de empresas capitaneada pela Volvo apresentou projeto para implantar três corredores viários de versão avançada de sistema BRT; sistema interligaria as zonas Norte e Leste da capital do estado do Amazonas
ALEXANDRE PELEGI
Manaus pode ter um “BRT 2.0”.
Pelo menos esta é a intenção de um consórcio de empresas capitaneado pela Volvo, que nesta segunda-feira (6) apresentou à prefeitura da cidade o “City Vehicle Interconnected (CIVI)”, uma nova modalidade de BRT.
A implementação do sistema será feita na modalidade Parceria Público-Privada (PPP).
O consórcio é formado pela Volvo Brasil, Tracbel e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).
Chamado também de “BRT 2.0”, a proposta do corredor abrange três corredores viários, que interligariam as zonas Leste e Norte da capital do estado do Amazonas.
Segundo o representante da Volvo, Ayrton Amaral, que apresentou o projeto para a prefeitura, o “CIVI” difere dos BRTs tradicionais no uso da tecnologia, como se fosse uma segunda geração do BRT. A proposta apresentada inclui a construção de estações com Wi-Fi e um sistema com informações em tempo real sobre o transporte para smartphones.
Ayrton Amaral informou que a intenção do projeto é estabelecer uma nova relação do usuário com o transporte público, o que só é possível com velocidade, confiabilidade, segurança e tarifa justa.
A partir da proposta apresentada pelas empresas, o prefeito de Manaus, Artur Neto, fará um Chamamento Público, em caráter nacional, para que outras empresas ou grupos interessados se apresentem.
A estimativa de investimentos para a implantação do BRT em Manaus varia entre R$ 1 e R$ 1,5 bilhão. A Prefeitura estima bancar 30% do valor (de R$ 300 a R$ 450 milhões), cabendo ao grupo vencedor do chamamento se responsabilizar pelos 70% restantes.
Artur Neto afirmou que o chamamento público deve ser feito o “quão logo possível”.
CIVI – CITY VEHICLE INTERCONNECT
Em novembro de 2016, durante a FetransRio, o Diário do Transporte divulgou a proposta que a Volvo apresentara para a prefeitura de Curitiba por meio de uma PMI – Pesquisa de Manifestação de Interesse. O sistema tem a mesma concepção do que agora foi apresentado em Manaus.
Segundo a proposta para Curitiba, o CIVI – City Vehicle Interconnect para Curitiba deve contar com ônibus híbridos e posteriormente elétricos puros. Cerca de 300 estações tubos seriam interconectadas por cabos de fibra ótica e os passageiros teriam wi-fi, painéis com informações sobre os horários e as linhas, além de ar-condicionado nos espaços. Relembre:
O CIVI foi projetado para as cidades que desejam se tornar reconhecidas como Smart Cities, ou cidades conectadas. Desenhado para a capital paranaense, sede do Grupo Volvo na América Latina, o projeto pode ser customizado para qualquer cidade.
O sistema pode operar com veículos híbridos – que reduzem as emissões de poluentes, por funcionarem com propulsão elétrica e por combustão -, nas versões convencional e articulada. Nos sistemas que exijam capacidade máxima de passageiros o CIVI também pode ser operado com os biarticulados tradicionais.
“A evolução do BRT está intrinsicamente relacionada às novas possibilidades geradas pelo desenvolvimento da tecnologia híbrida veicular e dos avanços das ferramentas de conectividade nas cidades inteligentes. Essa é a essência da criação do City Vehicle Interconnected, denominado CIVI”, afirma Ayrton Amaral, especialista em mobilidade urbana da Volvo Bus Latin América.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
