Ícone do site Diário do Transporte

Vans clandestinas dão lucro para milícias do Rio de Janeiro. Coordenador de fiscalização da prefeitura pede exoneração

Foto: reprodução imagem TV Globo (RJ TV)

Ministério Público acusa: esquema de transporte das vans rende R$ 27 milhões/mês a milicianos apenas na Zona Oeste da capital fluminense

ALEXANDRE PELEGI

O transporte irregular de vans no Rio de Janeiro tem crescido muito na cidade, ao mesmo tempo em que têm piorado a situação das empresas de ônibus. Nesta quarta-feira (30), além do transporte coletivo, as vans clandestinas fizeram mais uma vítima: o delegado Cláudio Ferraz, responsável pela Coordenadoria de Transporte Complementar da cidade, órgão da prefeitura do Rio responsável pela fiscalização do transporte alternativo.

Após contar à reportagem da TV Globo a série de restrições que seu trabalho vem sofrendo, ele decidiu pedir o afastamento do cargo.

As concessionárias que prestam o serviço regular de transporte coletivo por ônibus na cidade têm citado a ação danosa das vans como um dos grandes fatores de perda de receita, uma vez que elas fazem o mesmo percurso de muitas linhas regulares, disputando e roubando passageiros sem qualquer fiscalização.

Reportagens de jornais do Rio já vêm apontando há meses a livre ação da bandalha. As vans, proibidas em boa parte da cidade, circulam sem repressão, e realizam o trajeto que deveria ser feito por ônibus.

Cenas de uso de alto-falante para divulgar o itinerário e a liberdade para trafegar por qualquer rua, identificam uma situação que piorou na mesma medida em que a crise do sistema de ônibus ficou mais grave, com o fechamento de empresas como a Viação São Silvestre que respondia por linhas que ligavam a Zona Sul ao Centro. Com a saída dos ônibus, que deixaram de operar nos primeiros dias, as vans invadiram a região.

Matéria da TV Globo do Rio, desta terça-feira (30), apontou a livre circulação do transporte irregular e clandestino na Zona Oeste. Além disso, e mais grave, repercutiu a acusação do Ministério Público (MP) do estado, de que o esquema de transporte das vans está ligado às milícias, a quem os donos das peruas pagam taxas que variam de R$ 350 a R$ 800 para que possam circular com liberdade.

Essa operação rende aos milicianos uma receita mensal de R$ 27 milhões, segundo dados apresentados pelo MP. Receita que é proveniente do transporte feito nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste, onde as vans ilegais circulam misturadas a outras aparentemente legalizadas, segundo aponta a matéria da TV Globo.

Em entrevista ao Diário do Transporte, em 20 de novembro  de 2017, Cláudio Callak, presidente do Rio Ônibus, o sindicato das empresas de transporte do município, chamou de “covarde” a concorrência que a prefeitura permitia (fato que persiste) com as vans que percorrem as mesmas regiões atendidas pelos ônibus. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/20/entrevista-15-empresas-de-onibus-do-rio-de-janeiro-podem-atrasar-13o-dos-rodoviarios-diz-presidente-do-rio-onibus/

A prefeitura chegou a publicar em outubro de 2017 um decreto que possibilitava às vans percorrer os trajetos que quisessem, mesmo que estes estivessem sobrepostos às linhas de ônibus. Diante da repercussão, voltou atrás no dia seguinte.

De 2015 a 2017 oito empresas de ônibus encerraram suas atividades no Rio de Janeiro. Outras 11 estão prestes a fechar as portas, segundo afirmam os empresários de ônibus. Veja a lista das que interromperam seus serviços:

2017:

– Transportes São Silvestre

– Transportes Santa Maria

2016:

– Auto Viação Bangu (Consórcio Santa Cruz)

– Algarve (Consórcio Santa Cruz)

2015:

– Translitorânea (Consórcio Intersul)

– Rio Rotas (Consórcio Santa Cruz)

– Andorinha (Consórcio Santa Cruz)

– Via Rio (Consórcio Internorte)

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Sair da versão mobile