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Resege EMTU: Quanto melhor o ônibus, mais caro as viações pagam

Ônibus do sistema EMTU que a fabricante chama de BRT, mas na verdade não passa de um modelo comum com motor dianteiro. O modelo ao lado, de motor traseiro e piso baixo, paga mais por mês.

Com aumento de tarifas metropolitanas, sobem taxas cobradas das empresas. Companhias dizem que critérios desestimulam frotas melhores

ADAMO BAZANI

A partir desta terça-feira, 16 de janeiro de 2018, as tarifas de ônibus das regiões metropolitanas do Estado de São Paulo sobem para o passageiro. Os aumentos são diferentes de acordo com cada área operada nas regiões. Confira matéria aqui: https://diariodotransporte.com.br/2018/01/12/confira-os-novos-valores-das-tarifas-da-emtu-em-2018/

Mas além da tarifa para os passageiros, também vai ocorrer no mesmo dia, o aumento dos valores da chamada Resege – Receita dos Serviços de Gerenciamento e Fiscalização, que taxa de gerenciamento que as companhias de ônibus pagam todo o mês para manter os serviços da EMTU- Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos.

Esta taxa incide diretamente sobre cada ônibus que a viação tem e acaba pesando na tarifa para os passageiros.

Ocorre que há muito tempo se discute o que parte do setor de transportes considera uma “injustiça” nesta cobrança.

Quanto melhor for a categoria do ônibus, mais caro o empresário tem de pagar.

Segundo alguns gerentes de empresas que conversam com o Diário do Transporte, com a condição de não serem identificados, o critério do Resege acaba desestimulando a inclusão de ônibus melhores, mesmo com o fato de a tecnologia, ou seja, o tipo do ônibus para cada linha ser determinado pela EMTU.

“Não vamos ser hipócritas. É claro que mesmo que a linha suporte um ônibus de piso baixo e motor traseiro, vamos pleitear para a EMTU determinar um ônibus mais simples. Se eu colocar um ônibus de motor traseiro e piso baixo, por exemplo, nas minhas linhas, já vou gastar mais. Este tipo de ônibus é mais caro e tem manutenção mais cara também. Ainda vem a EMTU e me cobra mais de R$ 200 por mês a mais por este ônibus em relação ao mais simples, com motor na frente e elevador no meio.” – disse um coordenador de empresa.

“É ilusão falar que só porque está embutido na tarifa, tá resolvido e as empresas vão colocar os ônibus melhores. É tão ilógico este critério da EMTU que minha tarifa vai ser a mesma se eu tiver um ônibus bom e simples ou se eu tiver um ônibus melhor. No fim do mês, eu que tenho de pagar salários, fornecedores, custos e mais custos. Tem é de estimular o melhor” – complementou

No Diário Oficial do Estado de São Paulo da última sexta-feira, 12, juntamente com os decretos sobre o reajuste das tarifas para os passageiros, a STM – Secretaria de Transportes Metropolitanos publicou os novos valores do Resege.

Se a empresa colocar um de motor dianteiro, ou seja, do tipo convencional, vai pagar por mês na área 5, Sudeste, da Grande São Paulo, R$ 1.054,41 por este veículo. Se na mesma linha for colocado um modelo tipo padron, ou seja, com motor traseiro e de três portas, a empresa vai pagar a partir do dia 16 de janeiro, R$ 1.187,43.

A diferença é de R$ 133,02 por veículo.

Se a linha tiver dez ônibus, por mês, somente por colocar modelos melhores, a empresa vai pagar R$ 1330,20 a mais nesta área.

Se a empresa tiver uma frota de 100 ônibus, serão R$ 13.302,00 a mais só em relação a esta taxa.

Caso uma linha fosse indicada para ônibus articulados, nesta área da Grande São Paulo, a empresa teria de desembolsar R$ 2.357,79 por veículo todos os meses.

A área 5 corresponde ao ABC Paulista.

Na região de Campinas, por exemplo, o Resege de um padron de três portas é R$ 1771,91. Já de um ônibus convencional, o valor é de R$ 1533,65.

A diferença é de R$ 238,26 por veículo.

Na mesma lógica, se a linha tiver 10 ônibus, entre modelos mais simples e modelos melhores, a diferença por mês é de R$ 2382,60. Se a frota for de 100 ônibus, para colocar veículos com mais conforto, só de Resege, a empresa vai pagar R$ 23.826,00 a mais.

Já em relação a articulados, a cada veículo deste tipo, que tem maior capacidade, a empresa em Campinas pagará mensalmente, R$ 1339,90.

Juntamente com o fato de os ônibus de motor dianteiro serem mais baratos e de manutenção mais simples, a taxa também pode ajudar a explicar o fato de alguns linhas terem condições de tráfego compatíveis a veículos de motor traseiro, que tendem a ser mais confortáveis e plenamente acessíveis se tiverem configuração de piso baixo, mas receberem os modelos mais básicos.

Até as vans e micro-ônibus complementares ORCA – Operador Regional Coletivo Autônomo tem cobranças diferentes.

Veículos muito pequenos, de até 15 lugares, pagarão por mês para a EMTU, R$ 511,64. Já os micro-ônibus um pouco maiores, com até 21 lugares, desembolsarão mensalmente para a EMTU, R$ 733,17

CONFIRA RESEGE NAS REGIÕES:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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