VIP Transportes, de São Paulo, vai receber 112 ônibus na maior liberação de recursos pelo Refrota

Publicado em: 20 de dezembro de 2017

VIP foi uma das empresas que mais renovaram frota em 2017

É também a primeira compra de ônibus pela linha para a Capital Paulista. Financiamento é de R$ 84,8 milhões

ADAMO BAZANI

O Ministério das Cidades vai liberar quase R$ 85 milhões (R$ 84.843.930,00) para a VIP Transportes Urbanos Ltda, do Grupo Ruas, empresa que atua no subsistema estrutural da cidade de São Paulo, comprar 72 ônibus zero quilômetro por meio do Refrota.

A seleção da proposta se tornou oficial nesta quarta-feira, 20 de dezembro de 2017, com a publicação da portaria 688, do dia anterior.

É a maior liberação de recursos de uma só vez para uma empresa de ônibus, superando a primeira empresa selecionada, a Suzantur. Na ocasião, a companhia de ônibus de Mauá, na Grande São Paulo, recebeu R$ 30,3 milhões para comprar 100 ônibus.

A grande diferença de valores diante de um número quase igual de frota, entre as duas empresas, é que enquanto a Suzantur adquiriu ônibus menores e mais simples (80 destes 100 são micrões e toda a frota de motor dianteiro), a VIP vai comprar ônibus de categoria superior, como superarticulados e padrons de motor traseiro, que são mais caros.

A liberação é para duas unidades da VIP na capital. A Operação 1 vai receber 40 ônibus no valor de R$ 41,4 milhões (R$ 41.422.280,00 e a Operação 2 vai contar com 72 ônibus ao custo de R$ 43,4 milhões (R$ 43.421.650,00).

A seleção de proposta também é a primeira liberação pelo Refrota, que conta com recursos do FGTS, para a Capital Paulista, depois de quase um ano do anúncio da linha de financiamento.

A liberação representa também a maior negociação intermediada no âmbito do Refrota por parte de um banco particular, o Banco Mercedes-Benz.

Os veículos, que terão carroceria Caio, devem ser entregues até o final do primeiro semestre de 2018.

A VIP é uma das empresas que mais tem renovado a frota neste ano na capital.

Em julho, o Diário do Transporte, noticiou a chegada do primeiro lote de uma frota total de 60 veículos do tipo superarticulado, com ar-condicionado e wi-fi.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/07/24/zona-leste-recebe-os-primeiros-20-novos-superarticulados-de-um-lote-de-60-veiculos/

A renovação ocorre às vésperas do lançamento da licitação dos transportes na cidade, o que pode indicar que os atuais operadores do sistema, devem continuar na cidade mesmo com a abertura do processo concorrencial.

Na semana passada, durante a apresentação do balanço da frota de ônibus novos na cidade, o presidente do SPUrbanuss, sindicato das empresas de ônibus do subsistema estrutural (linhas maiores), Francisco Christovam, disse que defende um edital livre e a concorrência, mas que não acredita que outros grupos empresarias venham operar na cidade de São Paulo.

“Vários empresários para cá vieram e vários daqui se foram. Grandes grupos empresariais, conhecidíssimos, já estiveram aqui em São Paulo operando ônibus e estão operando hoje na região metropolitana, na Baixada Santista, por exemplo, mas não estão mais em São Paulo. São Paulo é quase que uma questão de especialização. As empresas são tradicionais, por exemplo, o Grupo Ruas, que opera na cidade de São Paulo, sequer opera na região metropolitana. Os Abreus operam em São Paulo. Tem a Tupi, que opera em São Paulo. Das nossas 14 empresas [do subsistema estrutural], nós temos a Mobibrasil, o Grupo da Santa Brígida, na região metropolitana, Sambaíba, em Campinas, e a Transpass, em Osasco, que atuam além da Capital. Todas as outras estão em São Paulo e operam exclusivamente em São Paulo. Por isso que eu ouso dizer que é quase uma questão de especialização. É lidar com dificuldades próprias, a infraestrutura que não é adequada, o passageiro que é mais exigente, as transferências e integrações, o modelo tarifário, as empresas aqui em São Paulo não vivem da tarifa, já que são calculados os custos e as empresas são remuneradas com base na tarifa de remuneração, que varia de acordo com cada uma das áreas operacionais. Não é fácil operar em São Paulo, eu não acredito que qualquer empresa que opere ônibus em qualquer lugar diga: ‘Vai ter uma licitação lá em São Paulo e eu vou participar.’  Tem de ser boa, tem de ser melhor das que estão aqui” – disse Christovam.

OUÇA:

CHRISTOVAM-PERSPECTIVA-ADAMO-BAZANI

 

O secretário municipal de mobilidade e transportes, Sergio Avelleda, anunciou que nesta quarta-feira, 20, seria lançada a minuta do edital para consulta pública, mas foram necessários ajustes finais e a publicação deve ficar para esta quinta-feira, 21, ou sexta-feira, 22.

Somente neste ano, segundo a prefeitura, as empresas de ônibus compraram mais de mil ônibus para a frota paulistana.

HISTÓRICO:

O Refrota 17, anunciado oficialmente em dezembro de 2016, travou no início de 2017. Houve vários problemas. A Caixa Econômica Federal, a primeira instituição bancária a operar a linha, exigia para liberar o dinheiro, um seguro para ônibus urbanos, que não existe no mercado. Além disso, houve problemas de defasagem dos recursos liberados frente à variação dos preços dos veículos por causa da demora da liberação do dinheiro.

Foram reservados R$ 3 bilhões para a compra de 10 mil ônibus, mas apenas uma pequena parte do dinheiro foi usada por causa do atraso no início efetivo do programa.

Por enquanto, os principais financiamentos no âmbito do Refrota são:

– VIP Transportes Urbanos Ltda (São Paulo-SP):  R$ 84,84 milhões (R$ 41,4 milhões + R$ 43,4 milhões) – 112 ônibus (40 + 72) – Banco Mercedes-Benz

– Suzantur (Mauá-SP): R$ 30,3 milhões – 100 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Viação Ponte Coberta (Mesquita, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Seropédica e Nilópolis – RJ): R$ 21,8 milhões – 65 ônibus – Banco Mercedes-Benz

– Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda (Valinhos/SP): R$ 14,9 milhões – 45 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Viação União (Duque de Caxias, Magé, Belford Roxo e Rio de Janeiro – RJ): R$ 11,2 milhões – 30 ônibus -Banco Mercedes-Benz

– Viação Vila Rica (Rio de Janeiro): R$ 10,83 milhões – 30 ônibus – Banco Mercedes-Benz

– Transporte Fabio’s Ltda (Duque de Caxias/RJ): R$ 10,68 milhões – 30 ônibus – Banco Mercedes-Benz

– Viação Garcia (Londrina-PR /Maringá-PR): R$  9,5 milhões – 30 ônibus – BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (crédito liberado em 11 de setembro de 2017)

– Viação Piracicabana (Brasília-DF): R$ 8,33 milhões – 25 ônibus – Banco Mercedes-Benz

– Mobibrasil Expresso S.A. (Recife-PE, São Lourenço da Mata-PE, Camaragibe-PE): R$ 5,37 milhões – 20 ônibus  Caixa – Econômica Federal

– Auto Ônibus Vera Cruz Ltda. (Duque de Caxias/RJ): R$ 5,34 milhões – 15 ônibus – Banco Mercedes-Benz

– Transcol – Empresa de Transportes Coletivos Ltda (Teresina-PI): R$ 5,2 milhões – 15 ônibus – Caixa Econômica Federal.

– TURB – Transporte Urbano S.A. (Ribeirão Preto-SP): R$ 4,04 milhões – 15 ônibus – Banco Mercedes-Benz

– Viação na Montanha Ltda (Campos do Jordão-SP): R$ 3,46 milhões  – 12 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Insular Transporte Coletivo Ltda. (Florianópolis-SC): R$ 2,67 milhões – 04 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Viação Cidade Sorriso de Toledo (Toledo/PR): R$ 2,21 milhões – 10 ônibus – BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul

– Transportes Coletivos Capivari Ltda (Tubarão-SC e Capivari de Baixo-SC): R$ 2,98 milhões – 07 ônibus – Caixa Econômica Federal

– SEI EMTRACOL – Empresa de Transportes Coletivos Ltda (Teresina-PI): R$ 2,29 milhões – 06 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Transporte Coletivo Estrela Ltda (Florianópolis-SC): R$ 1,99 milhão – 04 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Viação Santana Ltda(Teresina-PI): R$ 1,9 milhão – 05 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Transportes São Cristóvão Ltda (Teresina-PI): R$ 1,52 milhão – 04 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Transportes Coletivos Cidade Verde Ltda (Teresina-PI): R$ 1,52 milhão – 04 ônibus – Caixa Econômica Federal

– Transportes Therezina Ltda (Teresina-PI): R$ 1,14 milhão – 03 ônibus – Caixa Econômica Federal

Os valores podem variar de acordo com a data da apresentação da carta-consulta e com o tipo de ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Natan Soares disse:

    É mais uma vez esse governo bandido distribuindo nosso dinheiro pra seus comparsas.

  2. Thomas disse:

    Será que vai ter “cara” nova na ETU??

  3. Marco Miranda disse:

    Porque não entra outros ônibus, de outras empresas de carroceria tipo a Marcopolo por exemplo, só a Caio isso é descabido, são verdadeiras latas de sardinha, o carroceria ruim apertado, quando passa uma pessoa atrás de você dentro desses ônibus carroceria Caio eu fico até sem fôlego, colocar esses políticos para andarem de ônibus , para ver o que acontece, será?

  4. Elvis disse:

    E isto ai, dinheiro publico para financiar compra de ônibus de empresa de transporte privado, assim fica facil, assim até eu.

  5. Carlos disse:

    Tem que ser tudo caio mesmo

  6. Pedro disse:

    Eu não concordo que a VIP seja a empresa que mais renova sua frota, vejo sim essa empresa com a maior quantidade de ônibus antigos em circulação, dinheiro publico tem que ser democrático, por que ? essa empresa so compra carrocerias da CAIO, e as outras não tem direito a vida, ainda mais este dinheiro vindo de recursos do estado com dinheiro do povo, rodão anos com ônibus velhos e quando precisa renovar ainda recebem dinheiro barato do governo, fora que dizem que a CAIO e ligada a VIP, como diz aquela musica nada mudou.

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