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Crivella sanciona lei que proíbe que motorista de ônibus atue como cobrador

Trabalhadores comemoram por causa de aumento de segurança no trânsito. Rio Ônibus diz que maioria não paga com dinheiro

Como penalidade, prefeitura determina apreensão do coletivo e perda de direito de operar a linha flagrada com a irregularidade

ADAMO BAZANI

A partir desta segunda-feira, 18 de dezembro de 2017, está proibida a dupla função no sistema de transportes coletivos do Rio de Janeiro.

O prefeito Marcelo Crivella sancionou o projeto de lei dos vereadores “Reimont”, “Eduardão” e “Marcelo Arar”.

A lei 6.304, de 15 de dezembro de 2017, foi publicada hoje no Diário Oficial do Rio de Janeiro e prevê apreensão do ônibus flagrado com motorista dirigindo e cobrando passagem.

Em caso de reincidência, a empresa de ônibus pode perder a concessão da linha onde ocorreu o flagrante.

“em caso de reincidência, suspensão da permissão da linha em que o veículo circula”, diz lei.

Até mesmo os ônibus que possuem biometria devem ter cobradores, além de veículos pequenos, como os micro-ônibus.

Os cobradores devem retornar ao trabalho nos ônibus onde já não existe mais o profissional.

Segundo a publicação oficial, a lei entra em vigor a partir da data de sua publicação.

O sindicato dos rodoviários do Rio de Janeiro comemorou a lei. A entidade diz que, além de gerar mais empregos no setor, o fim da dupla função aumenta a segurança no trânsito e reduz o nível de estresse dos motoristas que passam a se concentrar apenas na condução dos ônibus.

Já o Rio Ônibus, sindicato das empresas, na ocasião da aprovação do projeto de lei pela Câmara, lamentou e sustentou que a medida vai aumentar os custos do sistema diante de um quadro onde mais de 70% dos passageiros já pagam com bilhete único.

Em nota, o Rio Ônibus informou que vai à Justiça contra a lei e que a medida é um “ato político” da gestão Crivella.

O Rio Ônibus informa que vai recorrer à Justiça contra a lei municipal que determina a obrigatoriedade de cobradores em todos os ônibus da rede municipal de transporte do Rio de Janeiro. Para o sindicato, a nova legislação representa um ato político, sem base técnica que justifique a volta de profissionais para um sistema que evolui para a consolidação do pagamento eletrônico, assim como acontece nas principais cidades do país e do mundo.
A determinação pode ser considerada um retrocesso, uma vez que, atualmente, todo o sistema de ônibus do Rio de Janeiro tem bilhetagem eletrônica e quase 80% das transações são feitas com cartões RioCard.
A bilhetagem eletrônica moderniza e torna mais seguro o sistema, agiliza o embarque, dá mais praticidade ao passageiro, reduz a circulação de dinheiro em espécie nos veículos e combate fraudes no uso de cartões eletrônicos de uso pessoal e intransferível. O pagamento em dinheiro, inclusive, já foi abolido em outras cidades de grande porte, como Campinas e Ribeirão Preto, ambas no interior de São Paulo.
Além disso, no Rio, a cobrança da passagem pelo motorista só acontece nas linhas com pelo menos 70% dos pagamentos feitos eletronicamente, conforme autorizado pela Secretaria Municipal de Transportes, que também permitiu as modificações feitas nos ônibus para o funcionamento de duas roletas e dois validadores.
A exigência de cobradores em todos os ônibus pode ter reflexo na tarifa de transporte, uma vez que representará mais um custo para as empresas, com a substituição da frota existente, que não prevê mais a presença do profissional, pois já está adaptada para o pagamento com cartão.
É importante lembrar que os cobradores vêm sendo aproveitados em outras funções nas empresas, até mesmo como motoristas. Em um momento de crise econômica e com o sistema à beira do colapso, o sindicato está preocupado com a preservação dos 40 mil empregos do setor de transportes do Rio.
O Rio Ônibus esclarece que já existe decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ratificando entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de que as funções de motorista e cobrador são compatíveis entre si. Na prática, significa que as duas funções podem ser exercidas pelo mesmo profissional.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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