Em matéria dos jornalistas Sérgio Quintella e Adriana Farias, com base em levantamento feito pela revista, o aumento nos desastres com vítimas é de 30%
ALEXANDRE PELEGI
Numa alentada matéria para a revista Veja São Paulo, os jornalistas Sérgio Quintella e Adriana Farias afirmam que subiu o número de acidentes com vítimas nas marginais Tietê e Pinheiros, entre janeiro e novembro deste ano. De acordo com levantamento realizado pela própria revista, apenas no ponto mais problemático das marginais Tietê e Pinheiros foram registrados 140 acidentes com vítimas, o que dá uma média de três por semana, um salto de 80% em relação a 2016.
O trecho compreende um intervalo de 4,5 quilômetros entre as pontes Estaiada e João Dias, no sentido Interlagos. “Nenhum outro trecho com a mesma extensão nas duas vias mais importantes da capital concentrou tantas colisões”, afirma a matéria.
No caso do trecho da marginal Pinheiros, a matéria busca um motivo para tal aumento de acidentes: “Um dos fatores que explicam o problema está ligado ao surgimento de duas pontes na região, a Laguna e a Itapaiúna, a partir de maio do ano passado. Elas criaram um emaranhado de tráfego, formado pelos motoristas que saem da Avenida Dona Helena Pereira de Moraes, ao lado do Parque Burle Marx, e cortam cinco faixas de rolamento para pegar a direção oposta da Pinheiros, passando sobre a Itapaiúna”.
O engenheiro de trânsito Horácio Augusto Figueira, entrevistado para a matéria, afirma que o acesso ainda fica muito próximo da Ponte João Dias, “o que amplia esse entrelaçamento de pistas”. Figueira observa: “É muito carro espremido no mesmo lugar, cortando a frente um do outro para chegar a destinos diferentes”.
No trecho citado “nada menos que 92% dos acidentes por ali envolvem motos, geralmente atingidas por automóveis no momento da troca de faixa. Se não bastasse, nesse trecho da marginal não há pista local, só expressa (com quatro a seis faixas, dependendo do ponto), o que afunila ainda mais o trânsito”, escrevem os jornalistas.
Quintella e Farias ressaltam que “as questões de segurança relacionadas às marginais são tema de debates calorosos desde julho de 2015, quando Fernando Haddad reduziu os limites de velocidade nessas áreas. Na campanha eleitoral de 2016, João Doria prometeu rever a política, e assim o fez em janeiro, poucas semanas depois de assumir a prefeitura — e recolocou as placas de 90 e de 70 quilômetros por hora nas pistas expressas e locais, respectivamente”.
DADOS COLETADOS PELA REVISTA VEJA:
A matéria assinada por Sérgio Quintella e Adriana Farias observa que os dados exclusivos “foram compilados por Veja São Paulo com base em 5 000 boletins produzidos pela Polícia Militar entre 2014 e 2017 e obtidos via Lei de Acesso à Informação. Trata-se de uma média de 130 desastres por mês, 30% mais que em 2016. A aceleração recente nos números ainda freou uma tendência de queda ocorrida após a mudança de Haddad. Em 2016, as colisões graves diminuíram 6%”.
Na sequência a matéria observa:
“A alta nos índices ajudou a consolidar as marginais como as pistas mais perigosas de São Paulo. Houve cinco acidentes a cada 1 milhão de veículos que circularam por ali em 2017. É o dobro do registrado na Radial Leste e cinco vezes mais que a média da Avenida 23 de Maio”.
O engenheiro de trânsito Sergio Ejzenberg dá sua opinião: “Se a velocidade máxima nas marginais fosse mantida em 70 quilômetros por hora, boa parte dessas batidas não teria ocorrido”,
A revista ouviu a Prefeitura, que afirma que “pelas contas da CET, houve 299 acidentes com vítimas nas marginais entre janeiro e agosto, segundo as estatísticas mais recentes da companhia. Isso significa uma queda de 14% em relação ao mesmo período de 2016, na comparação com a mesma base de dados. Ou seja, para a administração municipal, as duas vias se tornaram mais seguras de um ano para cá”.
Sobre o prometido pelo prefeito João Doria, Veja SP fez um balanço das ações até aqui. Leia:
“Ambulantes. O prefeito disse que iria acabar com os vendedores das pistas e afirma ter apreendido 50 000 mercadorias neste ano, mas eles continuam atuando, principalmente na Marginal Tietê.
Marronzinhos. O número de agentes aumentou quase 70% neste ano, chegando a um total de 75, e eles passaram a contar com 150 radiocomunicadores.
Painéis. A ideia era instalar várias placas digitais, mas os 36 equipamentos atuais em operação são os mesmos da gestão passada.
Veículos. Para intensificar a atuação da CET, a gestão recebeu a doação de quarenta veículos, como caminhonetes, motos e ambulâncias.”
A matéria é extensa, recheada com gráficos (incluindo um mapa que identifica os locais mais perigosos das marginais), entrevistas com famílias das vítimas e a opinião de especialistas. Ela pode ser lida na íntegra no link:
https://vejasp.abril.com.br/cidades/transito-marginais-acidentes/
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte
