Dentre os pontos positivos, o ITDP – Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, aponta melhora no tempo de deslocamento e de acesso a bens e serviços. Como ponto negativo, BRT é um dos piores do país no quesito o horário das viagens
ALEXANDRE PELEGI
O sistema de BRT da Região Metropolitana do Recife (RMR) foi inaugurado há 3 anos e meio.
Hoje o sistema circula por uma extensão de 47,6 km, transportando 121 mil passageiros/dia.
O ITDP – Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento avaliou o sistema e detectou que o BRT da RMR tem pontos altos e baixos, mas figura entre um dos piores do Brasil quando o quesito é o horário das viagens, ou seja, a regularidade.
Para realizar a pesquisa o ITP se utilizou de várias fontes, entre elas dados cedidos pelo Grande Recife Consórcio de Transportes, imagens de satélite, além de entrevistas com mil usuários dos corredores Norte-Sul e Leste-Oeste. Como lembrou Gabriel Oliveira, coordenador de transporte público do ITDP, a pesquisa foi feita de forma independente.
O relatório do ITDP aponta informações positivas como:
– 2% dos usuários do Norte-Sul usavam o carro antes de adotar o sistema como principal transporte. Já no corredor Leste-Oeste, o percentual foi de 3%;
– substituição do carro ou do ônibus convencionais pelo BRT redundou numa economia de 61% de emissão de gás carbônico, o que representa em números absolutos que deixaram de ser emitidos na atmosfera 17,6 mil toneladas de CO2.
Outros dados positivos do relatório:
– para 80% dos usuários do Norte-Sul e 85% do Leste-Oeste o deslocamento diário melhorou com a chegada do BRT;
– redução no tempo de viagem. Para os usuários do corredor Norte-Sul o ganho de tempo foi de 15 minutos (16% de redução no tempo de deslocamento), e de 26 minutos para os usuários do corredor Leste-Oeste (28% de redução);
– aumento de 13% para 23% no percentual da população coberta por sistemas de transporte de média e alta capacidade; de 20% para 30% no aumento da cobertura de acesso a postos de trabalho; cresceu de 15% para 31% a cobertura de acesso a organismos de saúde, como policlínicas e hospitais; e um aumento de 14% a 29% na cobertura de acesso a a faculdades.
PONTOS NEGATIVOS: FALTA DE REGULARIDADE É UM DOS PRINCIPAIS APONTADOS PELO ITDP
Mas o estudo do ITP apontou também os pontos que precisam ser melhorados pelo BRT do Grande Recife, e dentre eles o maior é a falta de regularidade nas viagens. Nesse ponto, cita o relatório, o BRT pernambucano é o pior entre os sistemas já avaliados pelo Instituto no país. Uma das razões está na constante invasão do corredor exclusivo por outros veículos, o que leva os ônibus a perderem tempo em congestionamentos.
O estudo do ITDP foi realizado em 2017 e apresentado nesta segunda-feira (4) em Recife. Ele foi distribuído formalmente a outros órgãos públicos de mobilidade urbana, como a Secretaria das Cidades de Pernambuco, o Instituto da Cidade Pelópidas Silveira e a CTTU – Companhia de Trânsito e Transporte de Recife.
A pesquisa já foi realizada em várias cidades brasileira (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e Curitiba), e seu principal objetivo é avaliar a contribuição do BRT para a mobilidade dos usuários e para o acesso às oportunidades na Região Metropolitana. Outro dado importante é permitir o uso de indicadores para qualificar a tomada de decisão.
Ao entregar o relatório ontem, o ITDP entregou ao poder público algumas sugestões de melhoria:
Na infraestrutura, sugere: aprimoramento da infraestrutura e operação: extensão do corredor exclusivo até o Centro; segregação física do corredor Leste-Oeste (a separação atual é feita por tachões); instalação de circuito interno de segurança; adoção de linhas expressas; e conclusão das estações pendentes.
Na melhoria das condições de acesso a pedestres e ciclistas, sugere: requalificação de calçadas; regulação de velocidade em 50 km/h; melhorar a iluminação pública e o paisagismo, e instalar bicicletários e paraciclos.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
