Empresário de ônibus e dono do jornal Diário do Grande ABC foi condenado em segunda instância por esquema que teria ocorrido na época da gestão de Celso Daniel
ADAMO BAZANI
A Polícia Civil de São Paulo prendeu na tarde desta sexta-feira, 17 de novembro de 2017, o empresário de ônibus e dono do jornal Diário do Grande ABC, Ronan Maria Pinto.
Ronan foi condenado na última terça-feira, 14 de novembro de 2017, a 14 anos de prisão por desembargadores da Terceira Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo no processo sobre suposta corrupção no setor de transportes de passageiros durante a gestão do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que foi encontrado assassinado em 18 de janeiro de 2002, na cidade de Juquitiba, após ter sido sequestrado na região do Ipiranga, zona Sul de São Paulo.
De acordo com o jornalista Fausto Macedo, de O Estado de São Paulo, os policiais prenderam Ronan Maria Pinto no Hospital Albert Einstein. O empresário estava se preparando para ser submetido a uma cirurgia de hérnia.
O Diário do Transporte também confirmou a informação.
Ronan permanecerá no hospital e será conduzido a uma unidade prisional após a recuperação de cirurgia.
O Ministério Público de São Paulo sustenta que o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, ocorreu por causa deste esquema de corrupção nos transportes por ônibus e do setor de coleta de lixo.
Ronan não é acusado pelo homicídio.
Em segunda instância, o TJ no mesmo processo condenou o ex secretário de Celso Daniel, Klinger Luís de Oliveira, a 17 anos de prisão; o empresário Humberto Tarcísio de Castro, a 5 anos de prisão e um dos responsáveis pela associação das empresas de ônibus de Santo André, Luís Marcondes de Freitas Júnior, a 8 anos.
Ronan foi preso em outro processo no ano passado no âmbito da Operação Lava Jato, por ordem do juiz Sérgio Moro, por crimes financeiros. Ronan teria recebido, de acordo com a acusação, R$ 6 milhões que tiveram origem no empréstimo fraudulento do Grupo Schahin para o pecuarista José Carlos Bumlai. O dinheiro, de acordo com a Força Tarefa da Lava Jato, foi o PT e direcionado a Ronan que estaria extorquindo dinheiro do partido para não envolver o nome do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no caso Celso Daniel.
Após pagar fiança de R$ 1 milhão, Ronan foi solto mas teve de colocar uma tornozeleira eletrônica.
A defesa de Ronan nega todos os crimes. Ao jornal, o advogado de Ronan, Fernando José da Costa, diz que vai recorrer da prisão.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
