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Entrega de propostas para a licitação da EMTU é adiada

Ônibus no ABC, onde nunca houve licitação

Sessão será no dia 04 de dezembro. Empresários não afastam possibilidade de esvaziamento

ADAMO BAZANI

A licitação dos transportes metropolitanos da Grande São Paulo, que deveria ter sido realizada em 2016, vai demorar um pouco mais para ter um desfecho.

A data de entrega das propostas, marcada para dia 21 de novembro deste ano, passou para o dia 04 de dezembro.

O comunicado oficial foi publicado no último sábado e não traz os motivos do adiamento.

Agora há pouco, o Diário do Transporte tentou contato com a Secretaria de Transportes Metropolitanos, mas devido ao horário da solicitação ainda não obteve resposta.

A licitação envolve as linhas que transportam mais de dois milhões de passageiros por dia em 38 municípios da região metropolitana de São Paulo, além da capital paulista.

Os contratos assinados em quatro áreas operacionais em 2006 venceram no ano passado e desde então os consórcios operam por meio de aditamentos.

A situação da área 5, correspondente aos ônibus metropolitanos do ABC Paulista, é pior ainda. Com os índices mais baixos de aprovação na medição de qualidade da EMTU e com a frota mais velha da região metropolitana de São Paulo (média de idade de 8,5 anos), as empresas de ônibus do ABC operam por meio de permissões e as linhas nunca foram licitadas. Desde 2006, a EMTU tentou por seis vezes licitar a área 5. Em cinco vezes, os empresários da região não ofereceram propostas, esvaziando a licitação. Os donos de empresas de ônibus do ABC se queixavam das condições impostas pela EMTU na licitação e alegavam custos operacionais maiores que de outras áreas. Além disso, na sexta vez, o empresário Baltazar José de Sousa, numa longa recuperação judicial, conseguiu pela Justiça de Manaus, onde também operava companhias de ônibus, suspender a licitação do ABC Paulista. Só em 2016 a EMTU conseguiu reverter a decisão que beneficiava Baltazar. A recuperação se refere à empresa Soltur – Solimões Turismo, que não opera mais no estado do Amazonas.

Fontes ligadas ao setor de ônibus da Grande São Paulo disseram ao Diário do Transporte que não está afastada a possibilidade de haver um novo esvaziamento neste ano. Isso porque serão considerados vencedores os consórcios de empresas de ônibus que oferecerem o maior desconto sobre as tarifas básicas de cada área estipuladas pela EMTU nas minutas do edital.

Ocorre que os empresários consideram que estas tarifas básicas estão defasadas em até 20% não “sendo possível ofertar nenhum valor menor”, conforme disse o diretor de uma das viações, que pediu para não se identificar.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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