Em nota, concessionária alega falta de segurança, alto índice de evasão, prejuízos com vandalismo e recente decisão da prefeitura do Rio de liberar circulação das vans na região
ALEXANDRE PELEGI
Em mais uma decisão que demonstra a crise em que está mergulhado o sistema de transporte público do Rio de Janeiro, o consórcio que administra o sistema BRT divulgou nota nesta quinta-feira, dia 9, anunciando que vai retirar todos os ônibus do corredor Transoeste, que operam no trecho entre Campo Grande e Santa Cruz.
A obra de construção do BRT custou R$ 800 milhões. O trecho que perderá o serviço de transporte custou cerca de R$ 100 milhões aos cofres públicos.
Apesar de não dizer quando acontecerá a interrupção dos serviços de ônibus, o consórcio BRT afirmou que a interrupção “é uma questão de tempo”. A área atendida pelo corredor Transoeste é uma das regiões mais populosas da cidade do Rio. No trecho há 22 estações, onde operam 33 ônibus articulados.
A nota divulgada pela concessionária alega, entre os motivos, a falta de segurança na Avenida Cesário de Melo, o alto índice de evasão de passageiros (muitos embarcam sem pagar a passagem), os prejuízos com o vandalismo e a recente decisão da prefeitura do Rio de Janeiro de liberar a circulação das vans na região atendida pelo sistema de ônibus.
A decisão de suspender a operação do BRT foi tomada, afirma o consórcio em nota, após quatro pedidos de providência terem sido encaminhados para a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), todos sem resposta. Por este motivo, a decisão da interrupção do BRT foi encaminhada para o Ministério Público do Rio de Janeiro.
A nota do BRT afirma:
“O Consórcio Operacional BRT enviou ofício esta manhã ao Ministério Público, após haver esgotado todas as tentativas de obter uma solução do órgão gestor, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). Já foram enviados quatro ofícios à Secretaria relatando a gravidade dos problemas e o quadro crítico que atravessa a operação do BRT na Avenida Cesário de Melo, em Santa Cruz, mas não foram adotadas medidas adequadas procedidas de ação eficaz. O alto índice de evasão, os custos impagáveis da depredação resultante de ações de vandalismo, os problemas de segurança pública e a recente decisão da prefeitura de liberar as vans sem qualquer fiscalização na região tornam a paralisação dos serviços não apenas um risco iminente, mas uma questão de tempo”.
CORREDOR TRANSOESTE
O corredor Transoeste foi o primeiro a entrar em operação no Rio de Janeiro, e transporta hoje 216 mil passageiros/dia, em 60 quilômetros de pista exclusiva, em 62 estações e quatro terminais (Alvorada, Santa Cruz, Campo Grande e Jardim Oceânico).
A primeira fase foi inaugurada em 2012, no trajeto ligando a Barra da Tijuca a Santa Cruz, na Zona Oeste.
Na fase seguinte veio a ampliação da via para Campo Grande e Paciência.
No mês de agosto de 2016 foi implementado o Lote Zero, em que o BRT integrou com a linha 4 do metrô, no terminal Jardim Oceânico.
