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Encarroçadora também projeta expansão no setor de fretamento com modelo que tem plataforma para pessoas com deficiência
ADAMO BAZANI
Mesmo atrasada há quatro anos e ainda sem previsão certa de lançamento porque a alteração da lei que determina frota de ônibus não poluentes ainda não foi definida, a licitação dos transportes da capital paulista volta a mexer com o mercado relaciona ao setor.
A prefeitura de São Paulo não pode mais criar aditivos aos contratos com as empresas, que venceram em 2013, e agora, a licitação, sendo do modelo ideal ou não, vai ter de “sair”.
Apesar de as discussões sobre a alteração do artigo 50 da lei de mudanças climáticas, que determina veículos menos poluentes, é nos tracionais ônibus a diesel que a indústria ainda investe para o sistema de transportes da cidade de São Paulo.
A corrida por homologar mais modelos junto à SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora das linhas municipais, tem sido maior e encarroçadoras e montadoras querem mais abrangência no maior sistema de ônibus urbanos do mundo, hoje com quase 15 mil veículos.
A Neobus, encarroçadora pertencente ao grupo Marcopolo, espera a homologação de um modelo midi, Mega Plus, para atender, principalmente às linhas do subsistema local, formado por empresas que surgiram de cooperativas.
“Nós readequamos a nossa carroceria Thunder+ para atender todo o mercado de transporte urbano de São Paulo. Com isso nós ganhamos readequação para todos os mercados do Brasil. Nós temos vendas de micro-ônibus já consolidadas para as empresas de transportes que são ex-cooperativas, que têm a capacidade de transportar em torno de 40% da demanda da cidade de São Paulo, com uma frota menor que as empresas do setor estrutural. Para o micros, atendemos todas as especificações da SPTrans. Além do que já vendemos uma quantidade muito boa, vemos um futuro muito promissor neste mercado dos locais, no qual a Neobus sempre teve participação forte. Estamos agora homologando o nosso midi Mega Plus, com 11,2 metros de comprimento. Primeiramente, estamos homologando com um chassi Volkswagen 17-230 e estamos em parceria com a Agrale e com a Mercedes-Benz para produzirmos carrocerias neste padrão para estas marcas.” – disse o responsável pelas vendas da Neobus em São Paulo, Leandro Pietsch.
Com a licitação, a estimativa é que a quantidade de ônibus na cidade diminua, com a racionalização das linhas, mas o tamanho dos veículos aumente. Assim, onde houver a possibilidade operacional, os micros darão lugar aos mídis (micrões).
A Neobus já vendeu 35 micro-ônibus para empresas da capital paulista do subsistema local, como Allibus, Norte Buss, e ainda há 46 unidades sendo produzidas.
ACESSIBILIDADE:
Pertencendo integralmente à Marcopolo desde novembro de 2015, a Neobus diz que a estratégia da marca é alcançar mais frotistas no mercado, mesmo que para isso, tenha às vezes de brigar a Marcopolo, principal empresa do grupo.
Assim, a encarroçadora criou nova postura comercial, de pós-venda e aposta em novos produtos, como a linha New Road de rodoviários para fretamento, já com plataformas elevatórias para pessoas com deficiência.
A vantagem do sistema, segundo a encarroçadora, é que a plataforma tem uma poltrona fixa comum que fica na região central do veículo. Como a lucratividade do ônibus fretado ou rodoviário regular vem da venda de assentos, o espaço desta poltrona pode ser comercializado normalmente, caso não haja nenhum passageiro que precise do equipamento. No caso dos urbanos e metropolitanos, há a possibilidade de o passageiro pagante ir em pé. Na visão de alguns empresários de urbanos, ainda quanto mais gente em pé, maior será o lucro imediato.
O regional da Neobus, Maurício Cardoso Silveira, diz que com a versão do New Road 340 com plataforma elevatória, a marca estará preparada para quando finalmente a obrigatoriedade de acessibilidade de fato nos ônibus de fretamento entrar em vigor.
“Este ônibus já está equipado com o Easy Boading, que é o aparelho de acessibilidade aos usuários deste segmento. Nós já estamos com este produto homologado para essa nossa carroceria, o N10 340, muito usada no fretamento. Já estamos correndo na frente e adaptados para esta mudança de mercado, que ainda não há definição concreta de uma data, mas já estamos preparados para esta mudança” – disse.
Visão interna de poltrona sobre a plataforma com poltrona fixa que fica no mesmo nível do assoalho. Caso não haja pessoas que precisem do equipamento, local pode ser ocupado por outros passageiros
O Neobus New Road N10 340 foi exposto pela encarroçadora nos eventos simultâneos da ANTTUR – Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento e Fresp – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo, que ocorreram no último final de semana no Guarujá e tiveram a cobertura do Diário do Transporte.
O veículo apresentado tem chassi 17-230 OD (motor dianteiro), da MAN – Volkswagen Caminhões & Ônibus.
O Diário do Transporte preparou um pequeno vídeo com a plataforma em funcionamento:
A partir de 1º de julho de 2018, nenhum ônibus de padrão rodoviário pode sair de fábrica com as cadeiras de transbordo e sem plataformas elevatórios, de acordo com portaria 205, publicada em 19 de julho pelo Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, no Diário Oficial da União. Mas a data pode ser adiada de novo.
Desde 2015, as normas estão para entrar em vigor, mas, principalmente as empresas, barraram alegando custos maiores e falta de disponibilidade tecnológica no mercado.
A obrigatoriedade anteriormente era para entrar em vigor no dia 2 de junho de 2015, depois foi para 1º de julho de 2016, 1º de julho de 2017 e, agora, 1º de julho de 2018.
Ônibus de dois andares poderão ter rampas de acesso ao primeiro piso.
A portaria vale para ônibus 0 km, não afetando os fabricados até 30 de junho de 2018.
Em relação aos ônibus urbanos e metropolitanos, a obrigatoriedade de elevadores ou rampas para o piso baixo está em vigor desde 2008.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
