Gerações de modelos projetados pela fábrica no Brasil se destacaram em parceria internacional
ADAMO BAZANI
A indústria brasileira de ônibus é considerada, sem exageros, uma das melhores do mundo.
É verdade que pelas condições operacionais de boa parte do país e também pela cultura ainda presente em alguns empresários de oferecer o mais básico possível, a maior parte dos veículos que são vistos pelas ruas, avenidas, estradas e rodovias brasileiras são os mais simples e robustos. Entretanto, também há modelos e soluções tecnológicas que não só se destacam nos transportes brasileiros, mas servem como referenciais para diversas partes do mundo, inclusive em países e regiões que têm tradição de veículos de alta qualidade.
Desde o final dos anos de 1950, se tem registros de exportações de ônibus montados parcialmente ou integralmente no Brasil, iniciando pela América Latina, mas logo ganhando parte da Ásia e Europa, América do Norte, Oriente Médio, África e Oceania.
Geração IV do Marcopolo Paradiso. Empresas usavam o modelo para serviços de luxo
Também há casos de diversas parcerias que ficaram marcadas na história, uma delas o Diário do Transporte relembra nesta edição: é entre a DINA e a Marcopolo.
A DINA – Diesel Nacional S.A. é uma empresa mexicana que atua nos EUA , México, Reino Unido, Rússia , Irã , Egito , Síria , Argentina , Nicarágua, fundada em 1951 por um acordo com Fiat SpA para montar e revender caminhões e ônibus.
Os anos de 1990 marcaram uma das melhores fases da empresa da família Gómez Flores. Foi justamente nesta década o início da parceria, que não existe mais, com a fabricante brasileira de ônibus Marcopolo.
O acordo era de transferência tecnológica e durou entre 1992 e 1999, envolvendo as gerações IV e V dos modelos Marcopolo Viaggio e Marcopolo Paradiso. A Mexicana fazia os chassis e colocava o motor. A brasileira enviava para o México partes dos ônibus e os gabaritos. Os veículos eram montados pela DINA e comercializados como monoblocos, ou seja, ônibus integrais.
Foi uma das fases de maior prosperidade para ambas empresas.
Os tradicionais ônibus robustos norte-americanos dividiam as vias com um design desenvolvido no Brasil.
Vale lembrar que a carroceria incorporava algumas exigências dos mercados, legislações e tipos de operação do México e dos EUA, como para-choques mais avançados, degraus e portas para chassis mais altos e reforços nos isolamentos acústico e térmico.
Até mesmo a poderosa Greyhound, uma das maiores empresas de ônibus do mundo, se rendeu aos modelos.
Até a poderosa Greyhound se rendeu à solução mexicana-brasileira
Os ônibus tinham de oferecer conforto semelhante aos luxuosos veículos norte-americanos, agilidade para áreas onde o trânsito é bem intenso e robustez para trajetos de difícil operação, inclusive cruzando desertos.
Ônibus Viaggio e Paradiso feitos no Brasil e montados pela DINA eram usados em rotas de longa distância
A parceria acabou quando a Marcopolo em 1999 decidiu se instalar no México para ampliar suas operações e clientes, mas foi proveitosa para ambos os lados, destacando a eficiência da indústria brasileira de ônibus.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
