Metrô de SP calcula um custo de operação de R$ 6,71 por passageiro, valor que estaria muito acima do preço atual da tarifa da rede, de R$ 3,80
ALEXANDRE PELEGI
Matéria publicada pela Folha de SP de hoje afirma que o Governo de São Paulo já sabe que a operação do monotrilho da CPTM que ligará o Morumbi ao aeroporto de Congonhas será deficitária. De acordo com o jornal, os custos para manter os trens circulando “serão muito maiores do que a receita das bilheterias”.
O monotrilho, também chamado de Linha 17-ouro, está previsto para dezembro de 2019, e tem demanda estimada de 185 mil usuários/dia, com oito estações dispostas ao longo de seus 7,7 quilômetros de extensão.
A Folha afirma que o Metrô de SP calcula um custo de operação de R$ 6,71 por passageiro, valor que estaria muito acima do preço atual da tarifa da rede, de R$ 3,80. O Governo estadual, para efeito de comparação, paga R$ 4,03 por usuário à concessionária da linha 4-amarela.
Segundo a matéria, “o futuro prejuízo do monotrilho” está sendo a justificativa do governo paulista para tê-lo incluído no pacote de concessão à iniciativa privada junto com a linha 5-lilás. A Folha afirma na matéria que a Linha 5-lilás poderá ser lucrativa, o que mitigaria as perdas de receita para o futuro concessionário. Na linguagem de mercado, para ficar com o filé o investidor deverá levar algum osso.
LICITAÇÃO DA CONCESSÃO DAS LINHAS 5 E 17 ESTÁ SUSPENSA DESDE SETEMBRO:
Lançado no dia 30 de março deste ano a licitação da concessão das linhas 5 e 17 está suspensa desde setembro, após ter sido questionada pelo Tribunal de Contas do Estado. O contrato tem lance mínimo de R$ 189 milhões e faturamento bruto estimado de R$ 10,8 bilhões em 20 anos. O leilão estava marcado para o dia 4 de julho, sem data para ocorrer.
A linha 17, ou simplesmente monotrilho, em construção desde 2012, estava prevista para ser entregue para a Copa do Mundo de 2014. O trajeto original previa 18 estações ao longo de 17,7 quilômetros, e ligava a estação Jabaquara, na ponta da linha 1-azul, à futura linha São Paulo Morumbi, na linha 4, conectando ainda com a linha 5-lilás e a linha 9-esmeralda da CPTM.
Um ramal levaria à estação Congonhas, com uma passagem subterrânea ao aeroporto por baixo da av. Washington Luís. A estimativa era de 450 mil passageiros/dia.
Anos de atraso, e após a obra ter sido abandonada pela empreiteira, levaram o governo paulista a realizar novo contrato e a encurtar o tamanho da linha. Se a linha diminuiu, o mesmo parece não ter ocorrido com o déficit, afirma a Folha de SP. “Estações com grande potencial de passageiros, como Paraisópolis, foram excluídas”, escreve o jornal.
Emiliano Affonso, do sindicato dos Engenheiros de São Paulo, afirmou ao jornal: “A linha 17 tinha sido desenvolvida de forma estratégica, ligando áreas muito povoadas e sem emprego com áreas pouco povoadas e com muito emprego. A redução do trajeto dela pode ter sido decisivo para o desequilíbrio financeiro da linha”.
O jornal afirma também que o valor investido na construção do monotrilho (linha 17) chega por enquanto a R$ 1,67 bilhão, de um total estimado em R$ 3,58 bilhões. O prejuízo para a operação desse monotrilho quando ele estiver pronto foi informado pelo Metrô ao TCE após pedido de explicações sobre a junção das linhas 5 e 17 num mesmo pacote de concessão.
O TCE também questiona a união da operação de duas linhas com tecnologias diferentes – uma é metrô e outra, monotrilho.
Para o secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, segundo afirmou à Folha de São Paulo, não é mais possível pensar nas duas linhas dissociadas. Ele disse que provará no TCE que a concessão das duas linhas em conjunto é a melhor modelagem.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
