Modelo já se espalhou por países como China, Índia, Geórgia e Islândia
ALEXANDRE PELEGI
FOTO: China Xinhua News/Reprodução
O número de mortos no trânsito no Brasil continua sendo um enorme desafio para os gestores públicos. O pedestre – elo mais fraco da corrente do tráfego – continua liderando o triste ranking de óbitos por atropelamento.
Isso deixa claro que o país não se envolveu de fato na busca de soluções duradouras para estes problemas, preferindo, em lugar disso, medidas tópicas e paliativas, sempre carregadas de muito marketing, e com pouco efeito muito prático.
Departamentos de trânsito de países europeus e asiáticos, muitos deles com políticas claras para a redução de acidentes, têm ampliado seu leque de medidas para reduzir a acidentalidade. Uma delas, já em prática há poucos anos, são as faixas de pedestres com pintura 3D.
Além de tornar a marcação no asfalto ainda mais visível para o motorista, ela cria a ilusão de uma barreira para os motoristas, o que leva muitos condutores a frear o carro de modo inconsciente próximo ao se aproximarem da faixa de pedestres.
O novo modelo de faixa já se espalhou pela internet, e está ativo em países como China, Índia, Geórgia e mais recentemente na Islândia.
A agência de notícias chinesa Xinhua, em Chengdu, usou sua conta oficial no Twitter para afirmar que os pedestres já perceberam uma mudança no comportamento dos motoristas, que passaram a parar mais seus carros diante da faixa com pintura tridimensional.
A novidade ainda não ganhou estudos ou estatísticas para comprovar sua eficácia quanto à segurança no trânsito. Até porque é bem provável que a eficácia pode cair conforme os motoristas se acostumem com a ilusão provocada pela pintura.
De qualquer forma, o modelo deverá ser copiado em breve por alguma cidade brasileira. Pena que desacompanhado de políticas reais e efetivas para a redução da letalidade no trânsito.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
