Para Semana da Mobilidade, prefeitura de São Paulo recria imagem que mostra vantagem do transporte público no espaço urbano

Três carros ocupam o mesmo espaço de ônibus, que transporta 70 pessoas, mas não atendem mais de 15 pessoas

Cidade de São Paulo terá diversas atividades, desta vez, com mais interação nas mídias sociais

ADAMO BAZANI

A imagem é clássica, mas diante ainda do privilégio que o transporte individual recebe em praticamente todo país, vale a pena reproduzi-la.

Além de contribuir com a redução da poluição, o transporte público auxilia no melhor aproveitamento do espaço urbano.

Quando o transporte coletivo recebe os investimentos necessários e se torna foco das políticas públicas, não é questão simplesmente de os carros saírem das ruas, mas de as pessoas ganharem espaço na cidade.

Os números absolutos não deixam mentir e, nesta terça-feira, 12 de setembro de 2017, a prefeitura de São Paulo recriou uma cena clássica, que surgiu na Europa no final dos anos 1990, que mostra o aproveitamento melhor do espaço urbano pelo transporte público.

Para isso, foram usados três carros modelo Gol, da prefeitura, um ônibus Caio Millennium IV – Mercedes-Benz, da empresa Viação Campo Belo, uma das que prestam serviços municipais e um grupo de 70 pessoas, a capacidade do veículo de transporte coletivo.

Segundo o site da Volkswagen, a versão do modelo Gol usada nas fotografias e filmagem tem as seguintes dimensões: largura 1,65 metro e comprimento de 3,89 metros. Sendo assim, a área ocupada pelo carro parado é de 6,41 metros quadrados.

Mas a capacidade máxima de lotação do carro é de 5 pessoas.

Assim, cada ocupante do carro, requer 1,2 metro quadrado da cidade.

Já o ônibus usado na filmagem tem 13 metros de comprimento e 2,5 metros de largura. Sua área, parado, é de 32,5 metros quadrados.

Mas a capacidade é de 70 passageiros, Assim, cada passageiro do ônibus ocupa 0,46 metro quadrado proporcionalmente.

Isso significa que, na comparação entre os dois veículos lotados, o passageiro do carro usa uma área 2,6 vezes maior que do que o usuário do ônibus.

Entretanto, há mais um condicionante.

De acordo com último balanço da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, de 2015, cada carro de passeio leva, em média, na cidade 1,2 pessoa por viagem.

Já o ônibus, por viagem, em média, pode atender 90 passageiros, entre embarques e desembarques.

Assim, levando em conta os dados de ocupação e média transportada na cidade, no carro de 6,41 metros quadrados, a pessoa toma da cidade, 5,34 metros quadrados.

Já com o ônibus, a ocupação por pessoa levando em conta estes fatores da cidade, é de 0,36 metro, proporcionalmente.

Assim, para o perfil da cidade, o ocupante do carro usa 14,8 vezes proporcionalmente para se deslocar.

O dado ainda não conta a área de distância segura entre um carro e outro, que também toma espaço nas vias, mas varia de acordo com fatores como peso e velocidade dos veículos.

Por isso, que propostas como a Cide-Municipal, um imposto sobre gasolina e álcool para financiar o transporte público ou pedágio urbano, se baseiam no fato de divisão mais justa do espaço urbano. Já que o usuário do carro usa mais  a cidade, seria mais justo, de acordo com estas propostas, que ele pague mais e financiar quem usa de forma mais racional.

Secretário de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda, em filmagem sobre espaço ocupado na cidade em transporte coletivo e individual. 70 pessoas ocupam área de ônibus

 

 

Na semana da Mobilidade e do Dia Mundial Sem Carro, a prefeitura de São Paulo terá uma série de atividades.

A programação pode ser conferida em:

http://semanadamobilidade.prefeitura.sp.gov.br/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Pelo menos aqui o vídeo não tem som; portanto sem dinâmica e morto, como é a operação do buzão de Sampa.

    Matematicamente está provado que o buzão é mais eficiente com relação a ocupação do espaço ;urbano, porém, como eu já disse aqui no Diário, eu sou contra esta teoria, pelo seguinte

    Não é com esta relação de ocupação do espaço urbano que o buzão de Sampa irá decolar e muito menos atrair os passageiros.

    Simplesmente porque a operação do buzão de Sampa não tem dinâmica e é inerte, sempre no 21/21, Penha-Lapa a lá CMTC, haja visto o vídeo sem som.

    Talvez outras pessoas já conhecem, mas eu só fiquei conhecendo na sexta feira.

    JÁ EXISTE UM SISTEMA QUE PODE SER APLICADO PARA VENDA DE BU sem complicação e em qualquer lugar do país.

    Fui a um hipermercado e depois a um shopping e me deparei com um totem com um hardware, um monitor e uma máquina de pagamento com cartão, onde eu pude num piscar de olhos pagar o estacionamento, simples assim.

    O código de barras do ticket do estacionamento é lido pelo equipamento, na tela aparece a opção de como você quer pagar e se quer nota com CPF, ai você insere o cartão do banco, digita a senha e “PLIN”, está debitado na sua conta corrente e é emitido o recibo do pagamento.

    Agora eu pergunto:

    Por que a fiscalizadora não utiliza este sistema ??

    Então é isso…

    Não adianta fazer marketing ou bater nesta tecla de ocupação do espaço urbano.

    Tem que fazer o que tem de fazer e pronto.

    Com certeza com algumas adaptações e testes este sistema pode ser aplicado no BU e distribuído em qualquer buteco.

    Para ajudar Sampa vou informar o nome da empresa do sistema, WPS.

    https://www.wpsbrasil.com/

    OBS.: NÃO trabalho nesta empresa e nem estou fazendo propaganda, só estou colaborando ´para dinamizar o buzão de Sampa.

    Não adianta fazer semana da mobilidade, criar site e o escambal, se não temos um sistema moderno para carregar BU como se paga um estacionamento em hipermercado e shopping.

    Falando em BU, gostaria que a PMSP devolvesse os meus R$ 20,00 do meu BU que foi levado no assalto em 22.02.17, isso sim.

    Agora aumentar o IPTU a PMSP sabe, acabei de ouvir a notícia no SPTV-2 que no ano que vem o IPTU será aumentado.

    Bobinha a PMSP, né…

    ACORDA SAMPA, MUDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Elvis disse:

    Este governo não faz o que prega, reduzindo linha, retirando ônibus, aumentando intervalos, ele reza a Deus e serve ao Demônio.

  3. Li o comentário do senhor Pablo Gil, concordo em partes, mas uma frase chamou minha atenção: “Não é com esta relação de ocupação do espaço urbano que o buzão de Sampa irá decolar e muito menos atrair os passageiros”. Ônibus não foi criado para atrair passageiros, usamos obrigados, senão, não há como percorrer grandes distâncias. O pobre não tem essa mordomia de escolher transporte. O que fará melhorar o transporte é um conjunto de opções, ônibus modernos (com ar condicionado, pelo menos. Não ligamos se aumentar para R$5,00, desde que antes a qualidade melhore, deveria ter um decreto proibindo motoristas de ultrapassar a capacidade do ônibus. Meu padrasto motorista disse que o problema não é falta de ônibus. KKK. Até concordaria se estivéssemos em Paris, no entanto, os ônibus ficam 10 minutos parados em grandes terminais e lotam antes de partir, se tivéssemos mais ônibus, pelo menos, algum conforto seria mantido. No entanto, chegaria um momento em que não haveria mais espaço…. Lema da Prefeitura de SP com @jdoriajr: “Trabalho! Trabalho! Trabalho! Hahaha, só não chega na “metade mais pobre” que pega a linha 4313-10, p. ex, onde um Millennium II articulado (para – de 150 pessoas/ estou baseando-me no Millenium mais moderno, cinza, com ar condicionado que numa reportagem do G1 diz caber 171 pessoas, então certamente o Millenium II não cabe a mesma quantidade de pessoas) soca + de 200 numa viagem de 2 horas. PS: a passagem aumentou pra R$4,00 😠

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