Anunciado como solução para problemas de mobilidade na capital gaúcha, BRT agora deve ter parte de seus recursos destinados a outras obras paradas por falta de verbas
ALEXANDRE PELEGI
Desde sua concepção, em 2010, muitas foram as mudanças feitas no projeto de implantação do sistema de Bus Rapit Transit (BRT) de Porto Alegre. Inicialmente planejado para transformar o trânsito da cidade com embarque rápido, ultrapassagem, veículos maiores, bilhetagem eletrônica, informatização de horários, etc, o projeto agora terá que esperar.
O Sistema BRT de Porto Alegre (RS) e Região Metropolitana considerava uma integração física, tarifária e institucional, abrangendo intervenções na infraestrutura urbana, na tecnologia dos veículos, corredores e estações, além da instalação de uma Central de Controle Operacional (CCO). A rede do sistema BRT previa a ampliação da extensão dos corredores de ônibus, estações e terminais de integração.
Contudo, o mau planejamento dos recursos destinados a ele, somado à falta de interesse político na viabilização das obras, fez com que o Projeto tivesse que esperar. O valor estimado para sua conclusão foi de R$ 1 bilhão. O dinheiro seria captado junto a esferas governamentais e parcerias público-privadas (PPPs). O programa Avançar Cidades, do governo federal, é um dos alvos de possível captação por parte do município.
Mas, mesmo com verba de R$ 249,43 milhões já garantida através da Caixa Econômica Federal, o novo prefeito, Nelson Marchezan Júnior, decidiu usar parte do dinheiro para obras de macrodrenagem e pavimentação ainda do pacote da Copa do Mundo de 2014.
O secretário municipal de Planejamento e Gestão, José Alfredo Parode, assegura, contudo, que a prefeitura não está abandonando a implantação dos BRTs em Porto Alegre. “Não vamos abandonar absolutamente nada. Vamos trabalhar na lógica da solução estruturante e de futuro, com parceria do governo do Estado e da União e captando recursos por PPP. O modelo de financiamento exclusivo com recursos públicos se esgotou”, defende.
Mesmo com parte do dinheiro de R$ 134,36 milhões já obtida através do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), nenhuma obra será iniciada sem todos os recursos garantidos. E isso leva tempo, planejamento e, principalmente, vontade política.
Assim, o início de funcionamento do tão aguardado projeto que iria revolucionar a mobilidade urbana da capital do Rio Grande do Sul, segue sem horizonte.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte
