Objetivo é mapear os deslocamentos diários, ouvindo mais de 150 mil pessoas e identificar novos perfis para diversas soluções, como mais possibilidades de integração entre transportes por trilhos e ônibus
ADAMO BAZANI
A partir do mês de agosto, o Metrô de São Paulo realiza a sexta edição da Pesquisa Origem e Destino, considerada a maior do país na área de transportes.
Neste ano, devem ser ouvidas em torno de 150 mil pessoas, em 32 mil domicílios da região Metropolitana de São Paulo.
Aproximadamente 1.200 pesquisadores serão divididos por 517 zonas em 39 municípios.
As casas a serem visitadas serão selecionadas por sorteio. Os moradores vão receber uma carta com senha e os telefones para contato e agendamento da visita do pesquisador.
Ou seja, o funcionário contratado só vai ao domicílio em caso de agendamento.
Os pesquisadores estarão com crachá e trajando boné e coletes na cor azul.
O funcionário deve fornecer também uma senha que combine com a senha do morador.
A pesquisa será feita com todos os moradores de cada casa para saber a quantidade e como são feitos os deslocamentos ao longo do dia. Tablets serão utilizados para verificar na hora inconsistências nas respostas e auxiliar no georreferenciamento dos locais informados pelos moradores.
Esta edição, segundo o Metrô, conta também com uma “Linha de Contorno”, ou seja, serão analisadas 22 rodovias de acesso à Região Metropolitana de São Paulo, onde os entrevistadores vão ouvir as pessoas nos caminhões, ônibus, automóveis e motos.
Também integram esta pesquisa os aeroportos de Cumbica (Guarulhos) e Congonhas (São Paulo), junto aos terminais rodoviários do Tietê, Barra Funda e Jabaquara. Nestes locais, foram ouvidas em junho, numa fase preliminar, 10 mil pessoas, entre passageiros e trabalhadores desses locais.
A pesquisa Origem-Destino do Metrô de São Paulo é considerada a mais completa do país em relação à mobilidade, sendo realizada a cada 10 anos, desde 1967, portanto, completa 50 anos nesta edição.
Desde 2002, recebe uma atualização a cada cinco anos, que é uma pesquisa de avaliação de tendências.
A metodologia, de acordo com o Metrô, é semelhante às usadas em Londres e Paris, que também aplicam pesquisa de origem e destino.
Além de identificar formas de deslocamento, mudanças no perfil de viagens e possibilidades de integração entre modais sobre trilhos e ônibus também traz um diagnóstico que pode ajudar na formulação de políticas para outras áreas como saúde, educação e carência de estabelecimentos culturais e de ofertas de emprego, já que os perfis de deslocamento dos passageiros revelam hábitos e necessidades dos moradores da região metropolitana.
Em 2007, por exemplo, a pesquisa do Metrô mostrou que a utilização do transporte coletivo ultrapassou o transporte individual, representando 55% do total de viagens motorizadas na região metropolitana de São Paulo. O resultado significou que foi interrompida a queda dos deslocamentos por trem, ônibus, metrô, ônibus e vans fretados e transporte escolar.
Para ter uma ideia, em 1967, ano da primeira pesquisa, 68% dos moradores usavam transporte coletivo nas viagens motorizadas. Este número foi caindo até que no final dos anos 1990, 48% das pessoas iam de transporte coletivo.
O Metrô considera transporte coletivo trem, ônibus, metrô, ônibus e vans de fretamento, além de transporte escolar. Já o transporte individual envolve táxi, automóvel e motocicleta. Neste ano, devem ser considerados também os aplicativos, como Uber, Caify e 99.
Os transportes coletivos evoluem bastante rapidamente, acompanhando o ritmo da sociedade e, por outro lado, as pessoas acompanham o ritmo também das mudanças do setor de transportes. Por isso, o Metrô considera essencial atualizar a pesquisa.
Em nota, a Companhia do Metropolitano relembra alguns dados da pesquisa de 2007, que serão comparados com os resultados desta edição:
Principais resultados apurados pelas últimas pesquisas OD e de avaliação de tendências
- Em 2012, foram realizadas diariamente 43,7 milhões de viagens na RMSP, volume 15% maior que o levantado em 2007, para um aumento de 2% na população no período.
- Do total de viagens diárias, 68% foram feitas por modos motorizados e 32% por modos não-motorizados. No período 2007-2012, houve maior aumento das viagens motorizadas que cresceram 18%, do que das viagens não-motorizadas que cresceram 8%.
- O índice de mobilidade passou de 1,95 para 2,18 viagens diárias por habitante, enquanto que o índice de mobilidade motorizada passou de 1,29 para 1,49 viagens diárias no período 2007-2012.
- A frota de automóveis particulares cresceu 18% no período 2007-2012, resultando em uma taxa de motorização de 212 veículos por mil habitantes. As viagens de automóvel tiveram aumento expressivo nas faixas intermediárias de renda mensal familiar (entre R$ 1.244,00 e R$ 4.976,00).
- Entre os modos coletivos, houve aumento da participação dos modos sobre trilhos de 12% para 15% (metrô – de 9% para 11% – e trem – de 3% para 4%) e queda na participação do modo ônibus como modo principal, de 36% para 32%. As viagens por trem aumentaram de 815 mil para 1.141 mil no período considerado, significando crescimento de 40%. As viagens de metrô cresceram 38% (de 2.223 mil para 3.219 mil). Entre os modos individuais, a participação do automóvel permaneceu estável (41% em 2007 para 42% em 2012).
- As viagens de metrô com uma transferência modal aumentaram sua participação de 55% em 2007 para 58% em 2012. As viagens exclusivas de trem diminuíram a participação de 20% para 14% e as viagens com duas transferências tiveram acréscimo na participação de 29% para 37%, no mesmo período.
- Em relação à flutuação horária das viagens, o pico do meio-dia superou os picos da manhã e tarde, devido às viagens a pé e bicicleta.
Ocorreram mudanças também no transporte não-motorizado: queda de participação no total de viagens entre 2007 e 2012 (de 34% para 32%), especialmente nas viagens por motivo educação (queda de 7.291 mil viagens para 6.928 mil viagens), que passaram a ser realizadas mais por transporte escolar (de 1.308 mil para 1.973 mil) e automóvel (de 2.251 mil para 2.615 mil). Consequentemente, o índice de mobilidade por modo não-motorizado entre crianças e adolescentes (de 4 a 17 anos) também caiu.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
