Declarações foram em depoimento à Polícia Federal no âmbito da operação que investiga esquema com grupo de Sergio Cabral
ADAMO BAZANI
O empresário de ônibus Jacob Barata Filho preso na Operação Ponto Final, um desdobramento da Lava Jato, no último dia 2 de julho, disse em depoimento à Polícia Federal que por dia e arrecada entre R$ 4 e R$ 5 milhões.
Estes valores, entretanto, segundo o empresário, significam faturamento e não lucro.
Além de Jacob Barata Filho foram presos outros empresários de ônibus, como José Carlos Reis Lavouras, e o presidente da Fetranspor, federação que reúne as empresas de ônibus do estado do Rio de Janeiro, Lélis Teixeira.
Segundo as apurações da força-tarefa envolvendo Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal, entre 2010 e 2016, foram movimentados R$ 266 milhões em propinas oriundas das empresas de ônibus para agentes públicos e políticos.
A maior parte desse valor, R$ 122,8 milhões, ainda de acordo com as investigações, foi para o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Os investigadores constataram que as propinas eram para os empresários de ônibus trabalharem sem ser incomodados, para que houvesse menos rigor nas fiscalizações por parte do Detro/RJ, departamento que gerencia os transportes no estado; para conseguir isenções tributárias e até mesmo reajuste no valor das tarifas.
O Ministério Público Federal sustenta que a cada reajuste tarifário, Cabral e seu grupo recebiam uma espécie de prêmio em dinheiro.
O MPF também informou que o valor movimentado é bem maior que os R$ 266 milhões apurados e giram em torno de R$ 500 milhões, entretanto, cerca de R$ 240 milhões dependem de uma aprovação do Supremo Tribunal Federal – STF para que sejam investigados por estar relacionados com políticos que têm hoje foro privilegiado.
Jacob Barata Filho foi preso quando iria embarcar para Lisboa. O empresário estava no momento com US$ 2750, 10.050 euros e 100 francos suíços.
O valor deveria ter sido comunicado às autoridades, entretanto, não houve nenhum aviso por parte de Jacob Barata Filho que afirmou desconhecer a obrigatoriedade.
O empresário de ônibus negou também que estaria fugindo e que tinha conhecimento prévio da possibilidade de sua prisão, apesar de ter sido encontrada em sua bagagem uma ordem de bloqueio de contas pela operação.
Sobre o suposto esquema de propina, o filho de Jacob Barata, fundador do Grupo Guanabara, um dos maiores no setor de transportes de passageiros no país, preferiu ficar em silêncio, assim como quando foi indagado sobre possíveis valores arrecadados com destino a Sérgio Cabral.
Há a informação, ainda não confirmada pela defesa, de que Jacob Barata Filho estaria disposto a fazer uma delação premiada.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
