Aplicativos de transporte urbano abrem guerra por mercado nas cidades brasileiras

Enquanto o transporte individual absorve pesados investimentos, a licitação dos ônibus de São Paulo ainda mantém dúvidas sobre metas e prazos

ALEXANDRE PELEGI

O app Uber, até outro dia sozinho no mercado brasileiro de aplicativos de transporte, começa a sofrer concorrência pesada.

Conforme noticiamos recentemente (leia: https://diariodotransporte.com.br/2017/05/25/enquanto-prefeitura-de-sp-socorre-taxistas-inadimplentes-aplicativo-99-comemora-novo-aporte-de-100-milhoes-de-dolares/), enquanto os taxistas sofrem na pele os efeitos da crise e da concorrência dos aplicativos, o americano Peter Fernandez, presidente executivo da startup brasileira 99POP, comemorava há alguns dias investimentos de US$ 200 milhões de dólares.

Agora quem ameaça desbancar o Uber no país é a espanhola Cabify, que traçou como meta chegar a todas as capitais brasileiras até o fim do ano.

A posição do Uber, pelo menos até aqui, é razoavelmente confortável.  O grupo americano lidera o mercado no país com mais de 10 milhões de corridas por mês, e o Brasil ocupa a segunda maior operação da companhia no mundo.

Em segundo lugar no ranking brasileiro vem a startup brasileira 99POP, com aproximadamente 1,5 milhão de corridas/mês, seguida pela espanhola Cabify, com 900 mil.

Nessa luta por espaço nas ruas brasileiras o aplicativo espanhol vem galgando posições: desde novembro ultrapassou o brasileiro 99 em número de downloads.

Na luta por uma maior fatia do mercado nacional o Cabify estima investir aqui US$ 200 milhões de 2017 a 2018. Esse montante será usado para financiar a expansão do serviço para todas as capitais, meta prevista para acontecer até o fim deste ano.

Atualmente o aplicativo está disponível em apenas sete municípios. Juan de Antonio, fundador e presidente da companhia, garante hoje (dia 6), em entrevista ao jornalista Gustavo Brigatto, do Valor Econômico, que o objetivo é preservar a qualidade do atendimento aos usuários. Isso explica o motivo do Cabify expandir sua cobertura nas cidades à medida que vai recrutando motoristas.

RACIONALIDADE AO INVÉS DE DESCONTOS: A DIFERENÇA DO CABIFY COM O UBER:

Outra preocupação do grupo espanhol é manter a operação com boa saúde financeira, através de uma racionalidade maior nas tarifas. A estratégia adota é diferente do Uber, que cresceu rápido graças a uma estratégia ousada de descontos. Isso causou ao gigante americano um prejuízo de US$ 3 bilhões em 2016.

Criado há apenas 6 anos, o Cabify aportou no Brasil em 2016, e hoje o país se tornou o principal mercado do aplicativo, tanto em corridas quanto em receita. O Cabify opera em 13 países.

TRANSPORTE COLETIVO REQUER ATENÇÃO MAIOR QUE TRANSPORTE INDIVIDUAL:

Enquanto os aplicativos disputam os passageiros do transporte individual com políticas agressivas e investimentos pesados, a licitação do sistema de transporte coletivo da capital ainda produz mais dúvidas do que certezas.

O prefeito João Doria, que foi trabalhar de ônibus na manhã do dia 2 de junho, fez uma boa avaliação do serviço. (Leia: https://diariodotransporte.com.br/2017/06/02/doria-diz-que-contratos-com-empresas-de-onibus-serao-de-10-anos/)

Foi a quarta vez que o prefeito andou de ônibus na cidade. Mas na entrevista coletiva que concedeu na sequência, afirmou que vai reduzir pela metade o tempo do contrato com as empresas de ônibus. Hoje, previsto na atual legislação, o contrato tem prazo de 20 anos.

A declaração preocupou entidades que defendem a implantação de ônibus com tecnologia limpa, que dizem temer prazos de concessão muito curtos. Isso porque habitualmente ônibus elétricos e trólebus têm vida útil superior a 10 anos e são mais caros, e assim,  retorno financeiro desses veículos também se dá num prazo maior.

Esta dúvida, ao lado de outras, precisam ser bem esclarecidas. Afinal o setor do transporte coletivo urbano, que transporta a maioria dos cidadãos paulistanos, precisa atrair recursos não só para custeio, como para investimentos em tecnologias limpas e itens essenciais de conforto e qualidade. Além, é evidente, de ter a prioridade na circulação pelas ruas e avenidas da cidade.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Aplicativos de transporte urbano abrem guerra por mercado nas cidades brasileiras

  1. Amigos, boa noite.

    O buzão de Sampa ainda está engatinhando.

    Se sair do emergencial, acaba o lucro.

    Afinal, emergencial = pizza.

    Ai ó…

    Att,

    Paulo Gil

Deixe uma resposta