VLT de Salvador vai oferecer qualidade, mas a uma tarifa 700% mais cara

Modal deve melhorar muito a mobilidade no Subúrbio Ferroviário, beneficiando a população de 1,5 milhão de pessoas, mas tarifa atual de R$ 0,50 saltará para R$ 3,60

ALEXANDRE PELEGI

A população de Salvador aguarda ansiosa a obra do VLT do Subúrbio, prevista agora para ficar pronta em 2019. Esta é a boa notícia. Afinal, o VLT está atrasado em pelo menos dois anos. Só para recordar, o primeiro projeto foi enviado para o Ministério das Cidades em 2011, sendo que o edital de licitação foi até anunciado para a data de 14 de agosto de 2015. Não avançou: o certame foi adiado algumas vezes, seja por ajustes técnicos nos projetos solicitados pela Prefeitura, seja devido à mudança no regime de financiamento da obra.

Agora o aviso de licitação para implantação e concessão do VLT foi finalmente publicado no Diário Oficial da Bahia, nesta quarta-feira (3 de maio), conforme noticiamos.

Agora vem a notícia ruim: o preço da tarifa do futuro VLT. Segundo informação confirmada pelo Secretário Estadual da Casa Civil do governo da Bahia, Bruno Dauster, com a substituição dos trens do subúrbio pelo modal VLT, a tarifa deve aumentar em 700%. A tarifa paga atualmente pelo soteropolitano para andar no Subúrbio é de R$ 0,50, mas com o VLT passará a custar o mesmo preço do Metrô e dos ônibus urbanos, atualmente em R$ 3,60.

O que resta saber é se o preço compensará pela qualidade da mobilidade. As autoridades apostam que sim.

O VLT deve melhorar muito a mobilidade no Subúrbio Ferroviário, beneficiando a população de 1,5 milhão de pessoas que vive nesta área da cidade.  Serão 19 quilômetros de extensão e 21 paradas, ligando a região do Comércio a Paripe, contra o modal atual, que tem 13,6 km, 10 estações e liga os bairros de Paripe a Calçada.

O fator tempo é outro destaque para justificar o VLT. Quando estiver operando, o trajeto entre a primeira e última estação será feito em 40 minutos. Hoje, para ir do Comércio até Paripe de ônibus no horário de pico, o tempo de percurso é de aproximadamente de 1 hora e 45 minutos.

Outro fator alegado é a frequência. O tempo de espera para entrar num vagão vai diminuir, passando dos atuais 40 minutos para apenas 6 minutos.

Juntando-se ao tempo, frequência e regularidade, há ainda o fator integração. O VLT deverá ser integrado às linhas 1 e 2 do metrô, e também aos roteiros do BRT metropolitano por meio de um túnel, ligando a parada do Comércio até uma nova parada na Estação da Lapa. A ideia é que os três serviços de transporte coletivo de Salvador (ônibus, metrô e VLT) sejam integrados por meio de um bilhete único.

Trânsito

Dados do Relatório Tomtom Traffic Index 2017 apontam Salvador como a segunda cidade mais congestionada do Brasil, atrás somente do Rio de Janeiro. Se o parâmetro for a América do Sul, a capital baiana ocupa a 4ª posição. No mundo, é a 28ª colocada.

Para o secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, o Estado tem realizado investimentos com a implantação do metrô e do VLT para melhorar a mobilidade da capital. Sobre o VLT ele explica: “Fez-se a opção de implantar esse sistema de transporte por trilho porque esse transporte de alta capacidade reduz o número de ônibus e carro circulando”.

Dauster cita ainda o alargamento da Paralela, a implantação viadutos de retorno, a construção dos viadutos do Imbuí-Narandiba, a Avenida 29 de Março, o metrô e essas obras de complementares Via Expressa, como outras intervenções que ajudaram a destravar a cidade.

Já para Fábio Motta, secretário de Mobilidade Urbana da prefeitura de Salvador, para resolver o problema de mobilidade de vez falta apenas a obra do Sistema BRT ficar pronta. Ela vai ligar o Iguatemi até a Lapa, com um braço entrando pelo Itaigara. Motta, que preside o Forum Nacional de Secretários de Transporte, da ANTP, afirma: “Nós teremos a melhor mobilidade do Brasil. Nós somos, em seguida do Rio de Janeiro, a cidade que mais investiu mobilidade urbana”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes