Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Macapá apresenta números das perdas e defende reajuste tarifário

Debate ganhou as ruas da capital do Amapá. Nesta quarta-feira um grupo de manifestantes realizou um ato contra a proposta da nova tarifa de ônibus para a capital.

ALEXANDRE PELEGI

A cidade de Macapá, de acordo com informações da Prefeitura, foi a capital que mais recebeu proporcionalmente investimentos em transportes públicos nos últimos 4 anos . A frota de ônibus saltou de 156 veículos para 202. Além disso, a cidade cumpriu a Lei de Acessibilidade, e a média de idade dos veículos é de 3,54 anos, a mais baixa do país.

 

Mas a questão do reajuste tarifário é o grande problema hoje na cidade. Em fevereiro o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Macapá propôs aumentar a passagem de ônibus urbano de R$ 2,75 para R$ 3,40.

Em 11 de abril o Conselho Municipal de Transporte de Macapá, formado pela Companhia de Trânsito e Transporte (CTMac), empresas, além de entidades estudantis e sociais aprovou o aumento da tarifa para R$ 3,25, valor inferior ao solicitado pelas empresas originalmente. A proposta da nova tarifa, que representa crescimento de quase 20% no valor atual, será encaminhada ainda para a Câmara de Vereadores, responsável por debater e aprovar, ou não, o reajuste. A proposta está atualmente em análise na assessoria jurídica. O presidente da comissão, vereador Japão Baía (PDT), vai ouvir o Setap e a CTMac para entender como foi fixado o novo valor para a tarifa local. A população também deve ser ouvida pela Câmara de Vereados.

O debate ganhou as ruas da capital do Amapá. Nesta quarta-feira um grupo de manifestantes realizou um ato contra a proposta da nova tarifa de ônibus para a capital.

Mesmo com a possibilidade do reajuste para R$ 3,25, a tarifa de ônibus de Macapá ficará entre as mais baratas dentre as 27 capitais brasileiras. Macapá e Aracaju são as duas únicas capitais que não sofreram reajuste desde 2015. Das 27 capitais, 15 já reajustaram tarifas desde janeiro, e as outras 10 realinharam os valores no 2º semestre de 2016.

O que argumenta o Setrap

O Sindicato defende a necessidade do reajuste sob o argumento de forte pressão nos custos operacionais. Os constantes reajustes no óleo diesel e a reposição das perdas salariais dos trabalhadores rodoviários são os itens que mais pesaram no cálculo para o pedido de realinhamento da tarifa. Nos últimos cinco meses o diesel sofreu três reajustes, sendo que em 2015, ano do último reajuste tarifário, o diesel subiu quase 15%, sem repasse para a planilha de custos. Em 2016, o reajuste alcanço quase 20%.

Já o reajuste dos rodoviários nos dois últimos anos produziram ganhos reais aos trabalhadores acima dos 20%. Apesar da crise econômica, nos últimos três anos a categoria tem recebido reajustes acima da inflação. Em 2017, somente no salário base, foram 6,5% além de aumento do auxilio alimentação e auxilio saúde, ganhos que ultrapassam 10% no salário.

ANTP

O Setrap se utiliza de dados do Sistema de Informações Municipais, da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, para referendar seu pleito. O banco de dados da ANTP demonstra que o transporte individual representa hoje 79% dos custos da mobilidade nas maiores cidades do país. Enquanto o transporte individual responde por apenas 1/3 das viagens, ele recebe três vezes mais recursos públicos do que os modos de transporte coletivos. O que demonstra a absoluta falta de prioridade ao transporte público, o que diretamente penaliza os usuários.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes