Transporte coletivo de Goiânia perde 25% dos passageiros

Empresas reduzem frota e, mesmo com queda do número de passageiros, ônibus são lotados

Os ônibus da RMG têm rodado mais quilômetros transportando menos pessoas. O índice de passageiros por quilômetro (IPK) tem assim se reduzido a cada ano

ALEXANDRE PELEGI

No princípio as concessionárias do sistema de transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia (RMG) transportavam 235 milhões de usuários. Mas algo mudou, e para pior. De 2008 até 2016 o sistema perdeu 26% dos passageiros, percentagem que representa cerca de 61 milhões de passagens. Nos dias úteis o índice de queda é de 22%; aos domingos e feriados, quase a metade (47,3%) dos usuários não se utilizam mais dos ônibus na RMG.

As razões enumeradas para justificar queda tão forte são muitas, e varrem um espectro que vai desde a Insegurança nos ônibus, pontos e terminais, até a atual crise econômica, sem citar a recente facilidade que muitos brasileiros tiveram de adquirir veículos particulares. Soma-se a tudo, em especial, a falta de qualidade do sistema.

Muitos desses usuários que abandonaram o sistema foram em busca de opções alternativas e mais baratas de locomoção, como bicicletas e os aplicativos de transporte individual (Uber). Se não mais baratas, são opções que permitiram não apenas mais conforto, como regularidade e menor tempo de locomoção.

O sistema de transporte sofre muito com isso, já que na RMG ele é custeado totalmente pelos usuários; logo, com a queda nas passagens, diminui-se sensivelmente o número de pessoas para dividir a conta total. Pela fórmula paramétrica utilizada para calcular a tarifa do transporte, vários fatores pressionam o custo final, como a inflação anual, o salário dos motoristas, a depreciação dos veículos e o combustível utilizado.

O contrato com o consórcio das concessionárias (RedeMob) previa que 83% das tarifas seriam pagas. Mas em março esse número bateu em 75%. Com isso, a queda no número de passageiros está levando os concessionários a pressionar o poder público. Eles estão usando os dados históricos de queda nas passagens para justificar a necessidade de subsídio, única forma de garantir a manutenção da operação e os investimentos no sistema.

Os ônibus da RMG têm rodado mais quilômetros transportando menos pessoas. O índice de passageiros por quilômetro (iPK) tem assim se reduzido a cada ano. O sistema operava com iPK de 1,469 em janeiro de 2008, índice que despencou para 1,274 no mesmo mês deste ano. Em contrapartida, segundo a RedeMob, entre 2004 e o ano passado, 78 novas linhas foram criadas, o que ocasionou 35% a mais de quilômetros apenas na extensão.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes