Prefeitura de SP organiza prêmio para motorista responsável

 

O que funciona melhor para levar os condutores a respeitarem as leis do trânsito: a fiscalização intensa ou a distribuição de prêmios como estímulo aos que respeitam as leis?

ALEXANDRE PELEGI

Multar ou estimular? O que funciona melhor para levar os condutores a respeitarem as leis do trânsito: a fiscalização intensa ou a distribuição de prêmios como estímulo aos que respeitam as leis?

A prefeitura de São Paulo, criticada por especialistas e estudiosos por ter colocado o aumento dos limites de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros como principal ação de marketing da gestão, decidiu reagir de um jeito inusitado: lançar um prêmio para os bons motoristas. Se o gesto vai sinalizar uma preocupação com a segurança viária, isso só o tempo dirá. O único jeito de medir é a redução dos índices de acidente.

Amante das ações de marketing, o prêmio idealizado pelo prefeito Doria já tem nome: “Motorista Legal”. O programa que a prefeitura está organizando pretende distribuir prêmios em dinheiro e produtos aos motoristas que ficarem por 12 meses sem receber nenhuma multa de trânsito. Os motoristas responsáveis concorrerão a sorteios de prêmios, mas para isso deverão fazer um cadastro na prefeitura.

Apostando no estímulo, ao invés da sanção, o secretário municipal de Transportes, Sergio Avelleda, parece ter se inspirado em iniciativas que viu em sua recente viagem a Seul, capital da Coreia do Sul. Mas a capital coreana, que enfrenta a letalidade no trânsito com uma série de medidas que pune o uso intensivo do carro, criou um programa para estimular o motorista a deixar seu carro em casa. Mesmo oferecendo estímulos como descontos em taxa municipal, pedágios e em combustível, a adesão não é alta. Ou seja, o rodízio compulsório ainda é muito mais eficiente que o rodízio voluntário, mesmo numa cidade que tem uma malha de transporte coletivo muito melhor e mais extensa que a de São Paulo.

Entretanto, é bom frisar que a ideia já era considerada pela equipe da secretaria de transportes e mobilidade antes da viagem à Seul.

Parece claro que tanto melhor será o motorista quanto menos multas ele tiver numa cidade em que a fiscalização é intensa, presente e constante. Logo, todo estímulo é bom, desde que acompanhado de uma série de medidas que desafie o motorista a ser a cada dia mais e mais responsável, dirigindo de forma defensiva.

O prêmio que a cidade espera é a redução significativa dos atropelamentos e das mortes provocadas pelo trânsito violento. E a se verificar nos recentes relatórios do Infosiga, do governo do Estado de SP, falta muito ainda para aspirarmos a uma situação de paz no trânsito.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes