HISTÓRIA: Aratu Amaralina, a cara do Amélia em Salvador

Aratu Amaralina, chassi Mercedes-Benz, com linhas semelhantes ao Caio Amélia

Encarroçadora de Salvador tinha prática de se “inspirar” em modelos fabricantes maiores

ADAMO BAZANI

No ramo de design automotivo nem sempre a criatividade falou mais alto.

Até nos dias de hoje é possível ver um modelo inspirado em outro, muitas vezes entre fabricantes concorrentes.

Não são raros também processos judiciais por causa disso.

No segmento de ônibus, a situação não é diferente.

São vários modelos ao longo da história que, ao serem observados com menos atenção ou de longe, poderiam criar confusão.

Uma das páginas da história envolve o modelo Amaralina, da encarroçadora baiana Aratu.

A Aratu teve origem na IASA – Indústria Aratu SA (ex- encarroçadora Bons Amigos), do Rio de Janeiro.

Em 1968, um grupo de sete operadores de ônibus de Salvador compraram as instalações da IASA e transferiram a produção para Salvador, na Bahia.

Em 25 de fevereiro de 1969, começou a produção na capital baiana, ainda com o modelo Panorâmico, da transição IASA – Bons Amigos. A fábrica ficava na Estrada de Ipitanga km 1, na localidade de Campinas de Pirajá.

A produção do Amaralina, modelo de duralumínio, começou em março de 1987.

Já o Amélia, da paulista Caio, era produzido desde 1980 e seguiu em linha até 1987/1988.

Talvez não seja possível afirmar categoricamente que o Amaralina era uma cópia fel do Amélia, mas não dá para negar que as linhas da carroceria seguiam muito o modelo da Caio que começou a ser produzido no bairro da Penha, zona Leste de São Paulo, e teve continuidade na unidade de Botucatu, no interior paulista. Relembre a história do Amélia aqui: https://diariodotransporte.com.br/2016/02/09/amelia-que-era-onibus-de-verdade/

Os faróis redondos em dupla de cada lado na parte da frente, o detalhe destacado sobre o conjunto óptico dianteiro, o formato dopara brisa, a caixa de itinerário, a janela do motorista e as demais ao longo da carroceria …  tudo lembrava, e muito, o Amélia.

Na traseira, havia mais diferenças, mas a caixa do vigia também não negava que o Amélia foi a grande inspiração para o Amaralina.

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Amaralina (frente e traseira) sobre chassi Volvo B 58 e abaixo Caio Amélia também sobre plataforma Volvo B 587, dianteira, janelas e conjunto ótico da frente confundiam entre um modelo e outro

Ocorre que seja plágio, cópia ou apenas uma tendência seguida na época, o Amaralina localmente foi bem sucedido. A Aratu chegou a ser a maior fornecedora de ônibus urbanos do Estado da Bahia, é verdade que quase um terço de toda a produção era consumida pelos próprios operadores de ônibus que detinham a encarroçadora.

Mas outros empresários de ônibus também compravam.

A produção da Amaralina foi até 1990, sendo sucedido pelo modelo Piatã, acusado de ser cópia do Marcopolo Torino.

Outros modelos da Aratu  também foram considerados plágios como o Natus Bahia, chamado de “cópia do Bela Vista da Caio.

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De longe, não dava quase para diferenciar o Aratu Natus Bahia (em cima) e o Caio Bela Vista, em São Paulo

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Artatu Piatã e Marcopolo Torino, muitas semelhanças. Aratu também “emprestou” características de modelo da encarroçadora paulista Thamco, na época

Após problemas financeiros, os empresários que controlavam Aratu decidiram focar apenas no ramo de transportes de passageiros e entre 1992 e 1993 encerraram as atividades da encarroçadora.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes