Beber e dirigir: o brasileiro não aprende

Dados do Ministério da Saúde sugerem que brasileiro voltou a combinar bebida e direção

ALEXANDRE PELEGI

Em 2008 a Lei Federal 11.705/08 definia a proibição de dirigir alcoolizado, com a redução dos níveis de tolerância para aplicação de multa e na classificação da conduta do infrator como criminosa. Em dezembro de 2012 entrava em vigor a Lei 12.760, que alterava o Código de Trânsito Brasileiro, com o objetivo de corrigir as brechas da lei anterior. Era a Lei Seca, que viria então a mudar os comportamentos do brasileiro na perigosa relação entre bebida e direção.

Assim que Lei Seca foi sancionada no país o efeito foi imediato: com medo da multa, e das sanções decorrentes da infração, muita gente se precaveu e passou a evitar a associação nefasta entre beber e dirigir. Álcool e excesso de velocidade respondem por 2/3 das mortes no trânsito.

Mas com o tempo passando, e o afrouxamento natural das campanhas de propaganda e das blitze policiais, muitos brasileiros voltaram a relaxar no comportamento.

Mas com o tempo passando, e o afrouxamento natural das campanhas de propaganda e das blitze policiais, muitos brasileiros voltaram a relaxar no comportamento.

É o que sugere uma pesquisa realizada por telefone pelo Ministério da Saúde em capitais brasileiras. Pelos dados revelados ontem quase 13% dos homens e 2,5% das mulheres admitem dirigir depois de ingerir álcool. Em 2013, no ano seguinte ao endurecimento da Lei, os mesmos índices mostravam que entre os homens a intenção de beber caíra para 9,4%, e entre as mulheres, para 1,6%.

Outro dado preocupante, revelado pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, sugere que de fato o brasileiro está bebendo mais. Barros cita um estudo do sistema de vigilância do ministério, Vigitel, que aponta que em 2016 duas em cada 10 pessoas entrevistadas admitiram a ingestão excessiva de bebida alcoólica.

A ingestão excessiva de álcool significa situações distintas para homens e mulheres. No caso feminino representa o consumo de quatro doses ou mais de bebidas por vez. Já no caso de homens, o excesso é caracterizado por 5 doses ou mais.

Em 2006, o consumo excessivo de álcool era indicado por 15,7% dos entrevistados. Mas a situação tem piorado mais entre as mulheres, segundo indicam os dados revelados pelo ministério da Saúde. Enquanto 7,8% das mulheres em 2016 admitiam consumo abusivo de álcool, na pesquisa ora divulgada esse porcentual subiu para 12,1%, um aumento de 50%. Já entre o público masculino o consumo abusivo aumentou também, mas em menor velocidade: passou de 25% para 27,3%.

Duas ações parecem ser necessárias para conter essa escalada: um maior monitoramento da lei, com o aumento da fiscalização da Lei Seca, e um reforço das campanhas de prevenção, tal e qual aconteceu com o problema do tabagismo

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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