Mais ônibus circulam sem cobrador em Recife

Mais linhas devem perder cobradores de ônibus em Recife e região metropolitana

Consórcio Grande Recife diz que medida foi tomada em razão da baixa demanda de usuários que pagam a tarifa em dinheiro e assegura que os cobradores serão capacitados para exercerem outras funções

ALEXANDRE PELEGI

A retirada dos cobradores dos ônibus que circulam em linhas da Região Metropolitana do Recife (RMR) começou em novembro de 2015. A linha 2490 – TI Camaragibe/TI Macaxeira inaugurou a novidade. Desde então, várias linhas perderam seus cobradores. No final de junho de 2016, diante de uma onda de assaltos nos ônibus da Região Metropolitana do Recife, a rotina de medo e insegurança entre os usuários levou o Grande Recife Consórcio de Transportes a iniciar uma nova estratégia de operação. No mês seguinte daquele ano (julho) decidiu permitir o ingresso de passageiros apenas com o Vale Eletrônico Metropolitano (VEM), abolindo o uso de dinheiro.

Através de nota oficial na época do anúncio, o Consórcio informava que a medida era um teste, “para avaliar se a redução de circulação de dinheiro no ônibus diminuirá a incidência de assaltos a coletivos”. Hoje, além da insegurança que permanece no interior dos ônibus, o Grande Recife Consórcio de Transportes alega que a medida vem sendo tomada também em virtude da “baixa demanda de usuários” que pagam suas passagens em dinheiro. Os ônibus só aceitam os cartões VEM Trabalhador, Estudante, Livre Acesso e Comum. O cartão pode ser adquirido em máquinas instaladas em 17 terminais integrados, nas estações BRT e na sede do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE).

Sem uso do dinheiro para pagar as passagens, aumentou o número de linhas operando sem cobradores em Recife. A grande retirada de cobradores se deu em março deste ano, quando a medida foi adotada em 27 linhas da cidade. Hoje já são 32 as linhas que operam apenas com o motorista dentro do ônibus, mas que passarão a 34 neste mês, já que as linhas 033 – Aeroporto e 511 – Alto do Mandu, a partir de 17 e 24 de abril, respectivamente, passarão também a circular sem cobrador.

Insegurança

Mesmo sem cobradores, e sem o uso de dinheiro para pagar as passagens, só nos dois primeiros meses de 2017 os assaltos no interior dos ônibus da RMR já atingem a marca de 374 ocorrências – número infinitamente maior que o mesmo período de 2016, quando houve 154 investidas.

Polêmica

Como seria de se esperar, a medida, que em breve vai surgir em São Paulo, vem gerando polêmica em Pernambuco.

O Consórcio Grande Recife, que opera o sistema de transporte coletivo na RMR, afirma que há um compromisso firmado com as empresas para não demitir os cobradores, investindo em capacitação e realocação para outras funções. Mas os profissionais do setor não estão convencidos. Entre segunda (10) e terça-feira (11) desta semana, funcionários da Rodoviária Caxangá fizeram uma paralisação, acusando a empresa de ter demitido cobradores.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes