Empresas de ônibus do Rio pagavam propinas mensais a conselheiros, diz delator

Segundo ex presidente do TCE RJ, Jonas Lopes, eram R$ 60 mil todos os meses.

ÁDAMO BAZANI

As empresas de ônibus do Rio de Janeiro pagaram R$ 60 mil mensais ao longo de todo o ano de 2015 a conselheiros do TCE – Tribunal de Contas do Estado e, como vantagem, tinham irregularidades ignoradas pelo órgão. A informação consta na delegação premiada do ex presidente do órgão, Jonas Lopes.

As informações da delação motivaram o desencadeamento da operação Quinto do Ouro, nesta semana.

Durante a operação, a Polícia Federal prendeu sete pessoas, sendo cinco conselheiros do TCE.

Foram alvos de condução coercitiva o presidente da Alerj, Jorge Picciani e o presidente da Fetranspor, associação que reúne as empresas de ônibus, Lélis Marcos Teixeira. Segundo a delação, o suposto esquema se daria por meio da Fetranspor.

A entidade nega e diz que as empresas não lidam diretamente com o TCE.

Em outra acusação que consta no depoimento, é a relação das Assembleia Legislativa com empresários de ônibus que foi colocada sob suspeita.

Uma lei aprovada em 26 de janeiro de 2016 pelos deputados desobrigou as empresas de ônibus a devolverem R$ 90 milhões referentes a créditos do RioCard pagos pelos passageiros e não usados num período de um ano.

Uma ação civil pública contesta a apropriação. Segundo o entendimento, que ainda é analisado pela Justiça, os créditos não utilizados podem até expirar, mas os passageiros devem ter o dinheiro de volta porque pagaram por um serviço que não usaram.

Outros esquemas apurados pela PF mostram cobranças de taxas de propinas em obras, que teria rendido R$ 1,2 milhão a cada conselheiro, e no fornecimento de alimentação para o sistema prisional.

Ádamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

 

 

 

 

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