Prefeitura de Curitiba x empresários de ônibus: como fica a tarifa técnica?

Empresas de ônibus contrataram estudo que demonstra que Urbs superestimou projeções de passageiros, fator decisivo no cálculo da tarifa técnica

ALEXANDRE PELEGI

A greve dos ônibus acabou, mas pelo visto os problemas mais graves permanecem em Curitiba, até outro dia um modelo de gestão do setor de transportes públicos para todo o país.

O problema agora é a tarifa técnica, uma conta que resulta da divisão entre o custo do transporte e um cálculo baseado na projeção de passageiros para o ano. O efeito gangorra tem tirado o sono de muita gente, isso porque o valor que a prefeitura repassa às empresas por passageiro cai se a projeção de passageiros transportados sobe. O inverso (menos passageiros transportados) aumenta o valor da tarifa técnica. Hoje a tarifa técnica é de R$ 3,66

Como pano de fundo para essa disputa entre poder público e privado está o edital de licitação do transporte, que dita a regra: “utiliza-se como estima de passageiros a tendência ocorrida no último período tarifário considerando as eventuais situações de atipicidade”.

Para os empresários, o poder público (em Curitiba a Urbs, empresa pública que gerencia o sistema) superestimou as projeções nos anos recentes. Para comprovar isso, os empresários contrataram e divulgaram estudo sob coordenação do professor Cassius Scarpin, do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Paraná (UFPR). E os dados jogaram mais lenha na fogueira: na primeira análise, referente a um ano antes, a projeção foi de 196,8 milhões de passageiros entre março de 2016 e fevereiro de 2017. O sistema transportou 1,2 milhão de passageiros a mais. Mas a estimativa da Urbs foi de 211,860 milhões de passageiros. Logo, segundo o Setransp, sindicato que representa as empresas de ônibus, houve uma superestimativa por parte da prefeitura.

Pelo levantamento da Associação Nacional das Empresas de ônibus (NTU) a capital paranaense perdeu 8% de passageiros entre 2015 e 2014, o dobro da média nacional, de 4 % de queda. A projeção da Urbs de 2016, no entanto, rejeitou o cenário de retração do setor. O resultado negativo, segundo os empresários, gerou um prejuízo de R$ 50 milhões.

Agora, a Urbs estima para o próximo período (março de 2017 e fevereiro de 2018) que os ônibus de Curitiba transportarão 16.174.214 passageiros/mês, total de 194,09 milhões, número 2% menor que o realizado no mesmo período anterior, ou 4 milhões de passageiros a menos. Os números dos empresários contrariam a estimativa oficial: a previsão do estudo encomendado à UFPR é de 183,6 milhões, cerca de 10 milhões de passageiros a menos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes