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Falha no sistema do Bilhete Único possibilita fraude até mesmo pelo celular

Brecha foi descoberta por estudante de Ciência da Computação em TCC

ADAMO BAZANI

Com informações O ESTADO de SÃO PAULO

O início do ano foi marcado para os passageiros de ônibus da capital paulista que usam o Bilhete Único, também aceito nos trens da CPTM e no Metrô, por longas filas no posto da SPTrans, na região central.

Isso porque, a gerenciadora teve de bloquear mais de 9 mil cartões por causa de fraudes detectadas no sistema. Desde o ano passado, foram 90 mil bloqueios.

Os créditos comprados não iam para a conta da SPTrans e, consequentemente, para as empresas transportadoras e sistema como um todo.

Hoje o jornal Estado de São Paulo, pelos repórteres Bruno Ribeiro e Mariana Diegues, mostra a história um estudante de Ciência da Computação que conseguiu detectar uma brecha no sistema.

De acordo com estudante Victor Santiago, de 23 anos, o aplicativo da Rede Ponto Certo, o único programa aprovado pela SPTrans para recarga de créditos pelo celular, expõe chaves de acesso, uma espécie de código criptografado, para informações do cartão.

Com esses dados, é possível fraudar o sistema, alterar o saldo e transferir créditos – tudo pelo celular.

A fragilidade do sistema, segundo o estudante à reportagem, foi descoberta quando ele fazia pesquisas para seu TCC – Trabalho de Conclusão de Curso.

O estudante percebeu que quando aplicativo da Rede Ponto Certo vai ler ou depositar dados no Bilhete Único, passa as informações por tecnologia de transmissão de dados por aproximação – NFC para o Android, que é o sistema operacional do celular.

Nesse processo, é possível encontrar as chaves para acessar o sistema do Bilhete Único.

O saldo do cartão, por exemplo, é um conjunto de códigos. É possível então transferir esses dados para o celular, armazenar no aparelho e depois “colar” esse código em outro cartão.

Pronto, a fraude está feita!

O segundo cartão, sem créditos, pode ficar com saldo do cartão original.

É possível fazer essa operação para um número infinito de cartões, ou seja, por um único cartão com créditos reais, é possível criar créditos para quantos cartões o fraudador quiser.

O estudante fez este teste com um Bilhete Único Comum.

A reportagem conversou com especialistas em segurança de dados e criptografia que confirmaram a possibilidade e disseram que essa chave de acesso é um número, mas funciona com uma chave de porta, dando acesso a toda memória do cartão.

NÃO RECEBEU IMPORTÂNCIA:

O estudante disse que em dezembro enviou mensagens à SPTrans e à Rede Ponto Certo.

A Rede Ponto Certo apenas respondeu agradecendo a mensagem, alegando que o sistema é seguro.

O jornal também conversou com membro da Comissão de Estudos e Infraestrutura do Instituto de Advogados de São Paulo – Iasp, Rodrigo Mateus, que disse que as empresas, tanto SPTrans como Rede Ponto Certo, podem ser punidas caso fique comprovado que não deram importância ao contato do estudante.

Já o promotor de justiça, Roberto Porto, do Grupo Especial de Delitos Econômicos do Ministério Público Estadual, que foi controlador-geral do município, disse que o estudante não descobriu a falha para obter vantagens financeiras e isso não deve resultar em punição para ele.

Em nota, a SPTrans afirmou que fará contato agora com o estudante para se investigar sobre a suspeita de fraude e, caso comprovada a possibilidade, serão adotadas medidas para correção.

A Secretaria de Transportes e Mobilidade também afirmou que trabalha em força-tarefa para combater fraudes junto com as autoridades policiais. Já Rede Ponto Certo informou que faz análises diárias sobre fraudes e não identificou que esse tipo de relato do estudante tem acontecido no sistema. Acrescentou e que o aplicativo segue regras de criptografia internacionais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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