Falta de segurança e congestionamentos são as principais queixas e motoristas de ônibus diz CNT

Criminoso armado rende motoristas e passageiros em Aracaju

Ao menos 30% dos profissionais foram assaltados nos últimos dois anos

ADAMO BAZANI

Dirigir ônibus é extremamente desgastante. A opinião é dos próprios motoristas, de acordo com uma pesquisa realizada pela CNT – Confederação Nacional do Transporte em 11 estados e no Distrito Federal que ouviu 1055 profissionais. Destes ouvido,  57% classificaram a profissão como desgastante.

A pesquisa ainda mostra que a principal preocupação dos profissionais é em relação à segurança: 31,8% dos profissionais foram assaltados nos últimos dois anos.

A falta de prioridade aos transportes coletivos não afeta apenas a vida dos 40 milhões de passageiros que usam ônibus todos os dias no Brasil, mas também dos profissionais: 81% dos motoristas reclamam dos congestionamentos. Menos da metade das capitais brasileiras possui corredores de ônibus e quando as cidades são menores, como nas regiões metropolitanas, a situação ainda é pior, com menos espaços preferenciais para o transporte coletivo.

Falta de sinalização ou sinalização inadequada são motivos de reclamação para 65% dos motoristas ouvidos. Já 77% reclamam de asfalto irregular, buracos ou problemas no pavimento.

As pesquisas foram realizadas nas garagens entre os dias 6 e 19 de dezembro de 2016.

Em nota, a CNT dá outros detalhes da pesquisa:

As entrevistas foram feitas nas garagens das empresas e em terminais rodoviários e constatam que a maioria dos motoristas (77,5%) dirige veículos com algum sistema de rastreamento com GPS (67,8%) para orientação; roda, em média, 151,9 km por dia; trabalha 8,3 horas diariamente e 5,9 dias por semana. A média de idade dos veículos é de 5,3 anos.

Um quarto dos entrevistados (24,5%) está há mais de dez anos na mesma empresa e 75,5% dizem que estão satisfeitos e não têm vontade de trocar de emprego. Ao falarem por que atuam na atividade, 70,6% afirmam que gostam de dirigir ônibus urbanos e 33,0% dizem que essa profissão oferece um salário melhor do que outras.

A maioria dos entrevistados (70%) possuía outra profissão anteriormente e acredita que a situação financeira melhorou ao começar a trabalhar como motorista profissional. O tempo médio em que os entrevistados estão nessa área é de 12,1 anos, sendo que 68,7% atuam no segmento há mais de cinco anos.

Entraves
Entre os pontos negativos, 57% destacaram que a profissão é desgastante, estressante ou fisicamente cansativa. Outros 35,9% consideram uma profissão perigosa e 19,8%, arriscada, devido à possibilidade de acidentes. Em relação à segurança, quase um terço (28,7%) diz ter sido vítima de assalto pelo menos uma vez nos últimos dois anos e 3,1% informaram que neste mesmo período o ônibus em que trabalhavam sofreu incêndio proposital ou alguma tentativa. Um terço (33,2%) se envolveu em pelo menos um acidente nos últimos dois anos.

Infraestrutura e reivindicações

As condições da infraestrutura também são dificuldades enfrentadas no dia a dia dos motoristas. O pavimento das ruas e avenidas foi considerado regular, ruim ou péssimo para 77,6% dos entrevistados. Já em relação à fluidez do tráfego, 81,8% relataram que há problemas. As principais reivindicações dos motoristas de ônibus urbanos são a maior 2.

Pesquisa CNT Perfil dos Motoristas de Ônibus Urbanos 2017 segurança policial (61,7%), a necessidade de pontos de apoio ao motorista com mais conforto e estrutura (33,7%), vias especiais exclusivas para ônibus (29,4%) e a redução dos custos de aquisição da carteira de motorista (24,5%).

Confira a íntegra:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes