Categoria aderiu ao dia nacional de paralisações, mas também está em campanha salarial, que até agora não teve acordo
ADAMO BAZANI
A greve de motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba e região metropolitana deve continuar nesta quinta-feira, 16 de março de 2017.
A categoria aderiu nesta quarta-feira ao dia nacional de manifestações contra a reforma trabalhista e a reforma da previdência, no entanto, também está em campanha salarial.
A data base da categoria é em fevereiro, mas até agora não houve acordo entre o Sindimoc – Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus de Curitiba e região metropolitana e o Setransp, sindicato que representa as empresas de ônibus.
Trabalhadores pedem aumento de 15% dos salários enquanto que as empresas oferecem 5,43% como reposição do INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, acumulado desde o último aumento em fevereiro do ano passado.
No início da manhã desta quarta-feira, não houve o cumprimento de frota de 50% durante o dia e 70% nos horários de pico. Apenas no final da tarde é que o Sindimoc disse que começou atender a determinação judicial da hora de pico. A entidade alega que só foi notificada no final da manhã.
Em nota, o Setransp disse que pediu oficiais de justiça nas garagens para verificar se os trabalhadores estavam cumprindo a determinação. Confira:
Sobre a paralisação do sistema de transporte ocorrida nesta quarta-feira (15), o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) esclarece:
- A greve foi promovida pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) em 100% do sistema, em flagrante desrespeito à frota mínima estabelecida pela Justiça.
- As empresas tentaram durante todo o dia colocar a frota em operação, mas, em muitas garagens, membros do Sindimoc impediam a saída dos ônibus, chegando até mesmo a atravessar os veículos na porta da empresa e esvaziar seus pneus. Isso fere a Lei de Greve, que estabelece que “as manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa”.
- O comércio da cidade, já em dificuldade devido ao momento econômico do Brasil, deixou de arrecadar cerca de R$ 150 milhões, como calculou a Associação Comercial do Paraná (ACP).
- É incalculável o desrespeito às milhares de pessoas que queriam apenas ir e vir livremente.
- As empresas solicitaram ao Tribunal Regional do Trabalho que defira a presença de um Oficial de Justiça em suas garagens para comprovar o cumprimento ou não, pelo Sindimoc, da decisão judicial que estabelece frota mínima de 50% nos horários de pico e de 40% nos demais horários.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
